A tensão entre a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (UB) e o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (PRD), aumentou nos últimos dias. Os dois são candidatos ao Senado na chapa governista, que ainda conta com Vanderlan Cardoso (PSD) e Zacharias Calil (MDB). A situação foi publicizada na última quinta-feira (27), após Gracinha acusar o concorrente de ataques durante a campanha.
“Cada vez que eu chego na carreata tem um meme, tem notícia contra mim, me afronta, entendeu? Eu acho que as coisas são discutidas em casa, né? Agora, você desrespeitar uma mulher pelo simples fato de ela ser uma mulher, você não ir debater argumentos simplesmente com preconceito, é muito difícil essa discussão”, afirmou em entrevista à TV Sucesso Band.
Nesta sexta-feira (28), a ex-primeira-dama voltou a expor o desgaste durante entrevista à Rádio Difusora. Na oportunidade, a senatoriável disse que o caso se trata de um episódio misógino.
“Eu realmente vi, hoje me encaminharam uma postagem dele, não sei se estava no Instagram dele, não sei responder exatamente onde. Ele de alguma forma ainda se vitimiza. Eu acho que seria muito mais sensato se desculpar, porque o que ele fez para mim não passa de uma atitude de homens misóginos e covardes que não sabem pedir desculpa e não sabem reconhecer o erro. Se vitimiza e quer colocar a culpa na mulher”, desabafou.
O ex-prefeito relatou ao O HOJE que recebeu com “espanto” as falas de Gracinha. De acordo com Mendanha, os ataques não são de responsabilidade dele e sim de adversários que querem desestabilizar o grupo. Nesse contexto, o candidato ressalta que a inexperiência de Gracinha em campanhas foi um fator que contribuiu para essa escalada.
“A falta de experiência fez ela cair na pilha dos adversários. Blogs que têm a todo o tempo tentado tirar o equilíbrio dela. Fica aqui meu profundo respeito, solidariedade, mas não tenho absolutamente nada com isso. Lamento muito, inclusive. Até porque esses ataques têm sido feitos a mim e outros membros aí que fazem parte [da chapa governista]. Eu vejo que o Daniel também é atacado, mas ela me pegou como se fosse eu. Mas paciência, compreendo. Exatamente por essa inexperiência que ela tem“, disse.
Disputa por duas vagas
Durante a pré-campanha, a base governista trabalhou para que tivesse apenas dois candidatos ao Senado na chapa. Inicialmente foi tentado um arranjo com o PL, tendo Gracinha Caiado e Gustavo Gayer (PL) como candidatos à Casa Alta. No entanto, a decisão de Wilder Morais (PL) de concorrer ao governo colocou fim às negociações.
Com o grupo bolsonarista fora da chapa, quatro nomes se consolidaram, tendo Mendanha como o último a entrar oficialmente na disputa. Neste cenário, descontentamentos começaram a ser frequentes. Conforme governistas, a insatisfação entre Gracinha e o ex-prefeito já acontecia desde o primeiro momento.
Vale destacar que este não é o primeiro caso de desentendimento entre o quarteto de senatoriáveis. O desconforto já foi relatado em outras duas oportunidades: na convenção da base aliada e em um evento com prefeitos do Progressistas.
No primeiro, Mendanha foi o único candidato ao Senado que não subiu ao palco e a ausência foi inicialmente atribuída a um desentendimento com Vanderlan Cardoso. Os dois candidatos afirmam não ter qualquer tipo de desavença, mas fontes próximas ao grupo ressaltam que os problemas se iniciaram com a filiação do ex-prefeito de Aparecida ao PSD, antes de migrar para o PRD.
No evento com prefeitos, a indisposição também envolveu Zacharias Calil. Na ocasião, o presidente da sigla, Alexandre Baldy, declarou apoio a Gracinha e Vanderlan, a pedido de chefes de Executivos municipais filiados ao partido.
José Mário Schreiner
Articuladores da campanha de Daniel Vilela (MDB) apontam a chegada de José Mário Schreiner como positiva para a pacificação do grupo. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) foi escolhido como coordenador-geral da campanha emedebista. O anúncio oficial acontecerá na próxima segunda-feira (31), em uma coletiva às 17h, no comitê da campanha do governador.
Segundo uma liderança do MDB, há preocupação de que o “fogo amigo” beneficie Gustavo Gayer na disputa pelo Senado. Nesse contexto, Schreiner, que foi preterido na disputa pela vice, surge como um exemplo de lealdade ao projeto governista. (Especial para O HOJE)
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