Bruno Goulart
O Congresso Nacional vive dias de intensa movimentação política em torno de dois temas que devem dominar os debates em Brasília nas próximas semanas: a proposta de redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6×1 e a escolha de um novo ministro para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Nesta quinta-feira (7), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que os projetos relacionados ao fim da escala 6×1 devem ser votados ainda neste mês. Segundo Motta, o assunto passou a ser prioridade dentro da Câmara e terá um mês de maio “intenso”, com debates entre empresários, trabalhadores e parlamentares antes da votação do texto final. “Queremos votar ainda neste mês de maio, no mês do trabalhador”, afirmou o presidente da Câmara. Em seguida, ele reforçou que existe uma decisão política para avançar com a proposta. “É melhor sentar à mesa e negociar o texto, porque temos horizonte de data para ser votado”, disse.
Fim da escala 6×1
A proposta do fim da escala 6×1 prevê mudanças no modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos para descansar apenas um. O tema ganhou força nas redes sociais e também no Congresso, principalmente entre categorias que reclamam de desgaste físico e mental provocado pela jornada atual.
Ao lado do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, Hugo Motta afirmou que o debate interessa diretamente à população. “A discussão sobre redução da jornada e fim da escala 6×1 interessa a 70% da população”, declarou.
Leia mais:
Alcolumbre promulga PL da Dosimetria após prazo de Lula acabar
Apesar do avanço das discussões, a proposta ainda enfrenta resistência dentro do Congresso Nacional. O deputado federal Zacharias Calil (MDB-GO) afirmou ao O HOJE que, neste momento, não existe previsão concreta para aprovação da medida.
Segundo o parlamentar, várias frentes parlamentares seguem discutindo o assunto e muitas delas são contrárias ao projeto. A principal preocupação é com os impactos econômicos para empresas e setores que funcionam diariamente, como comércio, saúde e serviços.
Mesmo diante das divergências, Hugo Motta deixou claro que a Câmara pretende votar o tema. “Não votar essa matéria não está em questão, vamos votar”, reforçou.
Ministro do STF
Enquanto a Câmara acelera o debate sobre a jornada de trabalho, o Palácio do Planalto enfrenta outro desafio político importante: a escolha de um novo nome para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. A movimentação acontece depois que o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Messias recebeu apenas 34 votos favoráveis e não conseguiu apoio suficiente para assumir a vaga aberta desde setembro de 2025, após a saída de Luís Roberto Barroso. A derrota foi considerada uma das mais importantes do governo Lula no Senado e aumentou a pressão para que o presidente escolha agora uma mulher para o STF.
Nos bastidores de Brasília, dois nomes aparecem como favoritos: Daniela Teixeira, ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e Edilene Lobo, ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Daniela Teixeira já passou anteriormente por sabatina no Senado quando foi indicada ao STJ. Na ocasião, recebeu 68 votos favoráveis. Hoje, ela é uma das poucas mulheres que integram os tribunais superiores do país.
Já Edilene Lobo entrou para a história ao se tornar a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira de ministra no TSE, em 2023. Ela também possui experiência como professora universitária e atuação na área jurídica.
Aliados do governo afirmam que Lula procura um nome que reúna experiência jurídica, boa relação política e representatividade. A avaliação dentro do Planalto é que uma indicação feminina pode fortalecer a imagem do governo e ampliar a presença de mulheres na Suprema Corte.
Nos últimos dias, Lula tem realizado reuniões reservadas para discutir o assunto. A expectativa é de que o novo indicado seja anunciado ainda neste mês.










