Leonino Caiado construiu o Estádio Serra Dourada e o Autódromo Internacional em Goiânia há meio século. Felizmente, está vivo, mas precisou chegar aos 92 anos para que ver o aproveitamento de suas obras. Ambos aplaudidos internacionalmente, os dois templos do esporte ficaram mais tempo fechados que em uso. Adivinhe qual a atração goiana mais reconhecida no exterior? A natural são as águas quentes de Caldas Novas, mas erguida pelo homem é o Serra ou o autódromo.
Infelizmente, Leonino passou quase 40 anos esperando algo de alcance mundial, como o Grande Prêmio de Motovelocidade, para mostrar que estava correto ao se dedicar aos dois monumentos à saúde física e mental dos goianos. O sucesso deste fim de semana mostra o caminho, basta seguir por ele. E acelerando.
4 DÉCADAS ESPERANDO OS GRAUS
O leitor viu ali que são quatro décadas desde o último GP de Moto. Depois disso, uma corridinha ali, uma promoção de carros acolá e nada mais. É um erro. Olhem os restaurantes lotados, pitdogs com sobrecarga de pedidos, Airbnb explodindo, hotéis com 100% de quartos cheios, Uber e 99 com um passageiro após outro. Além disso, os 250 mil visitantes e o meio bilhão de pessoas ao redor do planeta que ficam sabendo da corrida espalham as belezas de Goiânia, as oportunidades de negócios, o verde dos parques em contraponto à maravilhosa selva de prédios lindos. Enfim, uma semana de publicidade em todos os continentes.
Com eventos, o dinheiro aparece até no serviço público. O ICMS estadual e o ISS municipal terão um Natal extemporâneo. Portanto, uma lição para os pré-candidatos ao Governo, sobretudo os principais, Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e alguém que a esquerda ainda vai apresentar.
Eles estão sabendo agora que podem e devem pensar grande. As 25 edições do Festival de Cinema e Vídeo Ambiental não trouxeram a Goiás, tanto a cidade quanto o Estado, a quantidade de turistas que o GP destas águas de março. O Fica é fantástico, mas não se compara a eventos internacionais.
O TEATRO GOIÂNIA SEM… TEATRO
Outro ex-governador dos anos 1970 que deve estar na expectativa é Irapuan Costa Júnior. Aos 88 anos, o intelectual Irapuan todo dia olha as páginas culturais de O HOJE buscando a programação do Teatro Goiânia. Nada ontem, nada hoje, nada amanhã, nunca tem coisa alguma. Houve época em que seu palco sagrado abrigava formaturas.
Nem precisa ter a idade de Leonino e Irapuan para se lembrar de filas na esquina das Avenidas Anhanguera e Tocantins, no Centro da Capital, para ver peças com os grandes das artes cênicas. Agora, ali só tem noiado, bicho-grilo e camelô vendendo beberagem contra rinite. Por fora, o prédio é uma glória da arquitetura. Por dentro, precisa de agenda.
OS GINÁSIOS DESTINADOS À JUVENTUDE
Além do autódromo, do estádio e do teatro, que tal se lembrar dos ginásios Goiânia Arena, às margens da BR 153, e Rio Vermelho, na Avenida Independência. Já foram sedes da alegria da juventude, em shows de música e jogos de vôlei. O Goiânia Arena tem nível para apresentações de patamar internacional. Está resumido a outdoor gigante.
Wilder, Daniel, Marconi e o candidato do PT não devem se esquecer dos centros de convenções, sobretudo os de Goiânia e Anápolis. São espaços gigantescos, mas não maiores que a carência de públicos à altura de suas possibilidades.
O turismo de negócios e de eventos prefere data coincidentes. O MotoGP suscitou centenas de eventos paralelos, pois as pessoas se programaram para estar em Goiânia na data das corridas. Além da pasmaceira, o que precisa acabar é um o comodismo. Há um grande exemplo a inspirar. O governador Ronaldo Caiado teve coragem de trazer a Copa América sem torcida. É um ótimo precedente para quem o suceder a partir de 2027 exercer a ousadia de enxergar em Goiás um ímã de coisas boas.










