O câncer de colo do útero permanece entre os principais desafios de saúde pública em Goiás. Dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) indicam que, em 2024, foram registrados 981 casos da doença no Estado. No mesmo período, 252 mortes foram contabilizadas, segundo dados ainda considerados preliminares. Em 2025, até o momento, 622 casos foram notificados e seguem em processo de consolidação nos sistemas oficiais.
Diante desse cenário, a campanha Março Lilás ganha destaque ao mobilizar instituições de saúde em todo o País para ampliar a conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento da doença. A iniciativa nacional busca incentivar a vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) e a realização do exame preventivo Papanicolau, duas estratégias consideradas fundamentais para reduzir casos e mortes.
O câncer de colo do útero está diretamente associado à infecção persistente pelo HPV. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o vírus é responsável por cerca de 99% dos casos da doença no Brasil. A infecção ocorre principalmente por contato sexual e representa uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo.
Apesar da incidência significativa, especialistas destacam que a doença apresenta alto potencial de prevenção. O rastreamento por meio do exame Papanicolau permite identificar alterações nas células do colo do útero antes do desenvolvimento do câncer, o que possibilita tratamento precoce e eleva significativamente as chances de cura.
Em Goiás, o exame preventivo é ofertado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Em 2024, foram realizados cerca de 384 mil exames no Estado. Em 2025, até o momento, o sistema registra aproximadamente 356 mil exames realizados, número que ainda passa por atualização.
Outra estratégia essencial envolve a vacinação contra o HPV. O imunizante protege contra os principais tipos do vírus associados ao desenvolvimento do câncer de colo do útero e integra o calendário nacional de vacinação.
A vacina está disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos. A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde prevê cobertura vacinal de 90% dessa população, índice considerado necessário para reduzir a circulação do vírus e prevenir casos futuros da doença.
Em Goiás, os índices apresentam avanço gradual, embora ainda permaneçam abaixo da meta nacional. Em 2025, a cobertura vacinal entre meninas de 9 a 14 anos chegou a 85,40%. Entre meninos da mesma faixa etária, o índice ficou em 75,35%. No ano anterior, a cobertura foi de 81,50% entre meninas e 67,95% entre meninos. Em 2023, os percentuais foram ainda menores: 75,50% e 55,34%, respectivamente.
A Secretaria de Estado da Saúde reforça que manter a vacinação em dia representa uma das estratégias mais eficazes para reduzir a incidência da doença nos próximos anos. O imunizante protege contra tipos de HPV considerados de alto risco para o desenvolvimento de tumores.
Além das ações de prevenção, a rede pública estadual oferece atendimento para diagnóstico e acompanhamento de pacientes com suspeita ou confirmação da doença. O atendimento ocorre em hospitais estaduais, policlínicas e unidades conveniadas ao SUS, com acesso regulado pelo sistema público de saúde.
Em 2025, a rede estadual registrou 57.331 consultas ginecológicas, número que inclui atendimentos voltados para prevenção, investigação de sintomas e acompanhamento clínico.
Vacina é segura, gratuita e pode evitar milhares de casos de câncer
No Estado, o imunizante está disponível gratuitamente pelo SUS e pode evitar milhares de casos da doença. Foto: Iron Braz
A vacina contra o Papilomavírus Humano representa uma das principais ferramentas de prevenção contra o câncer de colo do útero e outras doenças associadas ao vírus. Disponível gratuitamente no SUS, o imunizante protege contra os tipos de HPV mais frequentemente relacionados ao desenvolvimento de tumores.
A SES-GO reforça que a vacina é segura, eficaz e amplamente estudada em diversos países. O imunizante integra o calendário nacional de vacinação e está disponível em unidades de saúde de todo o Estado.
Na rede privada, o custo médio da vacina pode chegar a cerca de R$ 900 por dose, valor que limita o acesso de parte significativa da população. No SUS, a imunização é ofertada gratuitamente para meninas e meninos de 9 a 14 anos.
Para receber a vacina, basta procurar uma unidade de saúde com documento de identidade e caderneta de vacinação. No caso de menores de 18 anos, a orientação é que estejam acompanhados pelos pais ou responsáveis.
Segundo a infectologista Carla Menezes, a vacina representa uma oportunidade concreta de reduzir casos de câncer nas próximas décadas. “O HPV está associado a diversos tipos de câncer, especialmente o de colo do útero. A vacinação protege contra os tipos mais agressivos do vírus e reduz significativamente o risco de desenvolvimento dessas doenças”, afirma.
A especialista explica que a imunização antes do início da vida sexual oferece a melhor proteção, mas ressalta que a vacina continua eficaz mesmo quando aplicada posteriormente. “O ideal é que adolescentes recebam a dose dentro da faixa etária indicada, porque a resposta imunológica é maior. Ainda assim, a vacinação segue importante para quem ainda não teve contato com determinados tipos do vírus”, destaca.
Além da proteção individual, a vacinação também contribui para reduzir a circulação do HPV na população. “Quando ampliamos a cobertura vacinal, diminuímos a transmissão do vírus. Isso protege não apenas quem recebeu a vacina, mas também a comunidade como um todo”, explica.
Menezes também chama atenção para a importância de combater informações falsas sobre o imunizante. “A vacina contra o HPV passou por estudos rigorosos e apresenta excelente perfil de segurança. Os benefícios são amplamente superiores a qualquer risco. Trata-se de uma medida fundamental de saúde pública”, pontua.
Especialistas reforçam que a imunização não substitui a realização do exame preventivo Papanicolau, indicado para mulheres dentro da faixa etária recomendada. A combinação entre vacinação e rastreamento permanece como a estratégia mais eficaz para reduzir casos e mortes associadas ao câncer de colo do útero.
Durante a campanha Março Lilás, autoridades de saúde intensificam ações de conscientização para ampliar o acesso à informação e incentivar pais, responsáveis e adolescentes a procurarem as unidades de saúde. A meta é ampliar a cobertura vacinal e fortalecer a prevenção contra um vírus comum, mas com potencial de causar doenças graves.










