O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a se manifestar publicamente sobre a Groenlândia ao acusar a Dinamarca de não agir diante do que classificou como avanço da influência russa na região. Em publicação na rede Truth Social, na segunda-feira (19), o republicano afirmou que “chegou a hora” de resolver a situação e declarou que “isso será feito”. Segundo Trump, a Otan alerta há anos para a presença russa no território, sem que o governo dinamarquês tome providências.
A posição do presidente norte-americano não é nova. Trump tem reiterado que não aceitará outro desfecho que não seja a posse da Groenlândia. Ele sustenta que, caso os Estados Unidos não assumam o controle da ilha, a região poderia ser ocupada por outras potências, como Rússia ou China.
Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que é difícil discordar de especialistas que avaliam que Trump entraria para a história dos EUA e do mundo caso assumisse o controle da Groenlândia. Peskov disse que não discutia se a medida seria positiva ou negativa, mas apenas constatava um fato.
Questionado sobre as falas de Trump a respeito de uma suposta ameaça russa, Peskov afirmou que têm circulado muitas “informações perturbadoras”, mas disse que o Kremlin não comentaria alegados projetos russos relacionados à Groenlândia. Na semana anterior, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou ser inaceitável que países ocidentais continuem afirmando que Rússia e China representam ameaça ao território.
Dmitry Peskov (Foto: Divulgação/ Kremlin)
Posição do norte europeu
No norte da Europa, autoridades da Dinamarca e da Groenlândia reiteraram que a ilha não está à venda e não pretende integrar os EUA. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou na segunda-feira, que o território não se deixará pressionar e que continuará buscando o diálogo diante das declarações do presidente norte-americano.
“Não nos deixaremos pressionar. Mantemo-nos firmes no diálogo, no respeito e no direito internacional”, disse Nielsen em publicação no Facebook. Segundo ele, o apoio recebido de outros países e líderes representa o reconhecimento de que a Groenlândia é uma sociedade democrática com direito de tomar suas próprias decisões.
Nielsen mencionou ainda manifestações realizadas no sábado (17) em Copenhague e Nuuk. De acordo com o primeiro-ministro, os protestos demonstraram união e ocorreram de forma pacífica. “Muitas pessoas expressaram pacificamente o amor pelo nosso país e o respeito pela nossa democracia. Sou muito grato por isso”, afirmou.
Tarifas punitivas de Trump
Trump vem fazendo ameaças com tarifas punitivas a países que se opõem ao seu plano de anexação da Groenlândia, o que levou a União Europeia a considerar medidas de retaliação. No sábado (17), Trump anunciou que imporá uma tarifa adicional de 10% sobre produtos do Reino Unido e de outros países europeus a partir de 1º de fevereiro.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, criticou a iniciativa e afirmou que é “completamente errado” impor tarifas a aliados. “O uso de tarifas contra aliados é completamente errado. Não é a maneira correta de resolver divergências dentro de uma aliança”, declarou Starmer em coletiva de imprensa em Downing Street. Ele afirmou que decisões sobre o futuro da Groenlândia pertencem exclusivamente aos povos da Groenlândia e da Dinamarca.
Starmer disse ainda que uma guerra comercial não interessa a ninguém e que conversou com Trump e líderes europeus em busca de uma solução baseada em parceria, fatos e respeito mútuo.








