O Tribunal Superior Eleitoral travou a campanha de Cláudio Castro a senador pelo Rio de Janeiro e, a seu jeito, o igualou a notórios bandidos que passaram pelo governo fluminense. Com isso, evidentemente que sem ser essa a pretensão, o TSE calou a voz do governador que deu a maior lição de combate ao crime organizado, ao invadir os complexos de favelas da Penha e do Alemão, na Zona Norte carioca. Wilson Witzel, de quem Castro era vice, havia sido cassado por outra associação de suspeitos, o Tribunal Especial Misto, formado por desembargadores e deputados estaduais do Rio. Witzel era a favor de dar “tiro na cabecinha” dos integrantes de facções. Ao cassar os dois únicos governadores que tiveram a coragem de agir como o povo gostaria, na política do “bandido é bandido morto”, os tribunais passaram a mensagem de que é tolerável mexer com os marginais de Brasília, não com os de verdade. Portanto, se depender do sistema, a grande expectativa dos brasileiros, de que haverá paz nas ruas, não passa de ficção.
Dos nomes a presidente, só dois seguem com o sangue nos olhos
Dos candidatos à Presidência da República, apenas dois seguem com o sangue nos olhos, enquanto os demais têm papas na língua na hora de dizer o que pretendem para tranquilizar 215 milhões de vítimas em potencial. O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e o administrador Renan Santos (Missão) disseram com todas as letras que chega. Assassinos, ladrões, estupradores, traficantes, corruptos e lavadores de dinheiro precisam ser eliminados, não necessariamente com “tiro na cabecinha”, só se não houver outra maneira. Renan diz em vídeos que vai matar bandidos, assim mesmo, sem entrelinhas.
O que Renan diz na internet, Caiado passou sete anos fazendo na prática, que é o controle das situações com todas as forças protegidas pela lei. Se o bandido encarar, como dizem os policiais, “melhor chorar a mãe dele que a minha”. Em busca de eleitor do centro, é possível que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não radicalize o discurso no estilo de Caiado, segundo quem “ou o bandido muda de profissão ou muda de país”. Único candidato da esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva é refém de seus colegas de ideologia, está cercado pela lógica enviesada de que o Estado precisa dar uma 2ª chance até para quem já cometeu dezenas de crimes hediondos.
Caiado e Zema têm suas políticas como governadores a mostrar ao País
Caiado e Zema têm a mostrar resultados de suas políticas como governadores, Lula não pode ferir os partidários ideológicos e Flávio Bolsonaro ainda não mostrou seu plano de ações, mas a novidade são as propostas radicais de Renan Santos. Romeu Zema (Novo), que derrotou os tradicionais grupos de Minas Gerais e foi reeleito governador, está em batalha contra o Supremo Tribunal Federal. E o inimigo agora é outro, ou seja, o mesmo, pois emanou do STF a ordem para deixar as favelas cariocas como estão, sob o domínio do medo. Nos diversos encontros para debate de temas em voga, Zema usa uma linguagem mais polida: “O crime é como se fosse um câncer e cabe ao Estado evitar que esse tumor cresça, caso contrário vai crescer naturalmente. Temos que punir e dar o exemplo”.
Renan Santos é mais direto: garante que vai se vingar. Num vídeo em que mostra três bandidos matando um assaltado em frente ao filho de 7 anos, o pré-candidato do Missão garante que vai dar o troco. E o troco é “tiro na cabecinha”, seja na nuca ou na testa. Seus aliados usam uma camiseta dizendo que a solução é matar. Caiado e Renan são desconhecidos, principalmente se comparados aos dois líderes nas pesquisas, Flávio e Lula. Porém, chega uma hora em que a nação se cansa. Parece ser o caso.
O assunto é mais querido pelos brasileiros, numa mostra de quão divorciados são os três poderes do contribuinte que os sustenta. Uns acham que a pauta mais importante do Brasil é liberar aborto, ou dar vagas exclusivas para trans em concursos públicos e vestibulares dos mais concorridos cursos das universidades federais, ou conceder benefícios a fazendeiros roubados por bancos. Já o trabalhador, seja ele patrão ou empregado, só quer chegar vivo em casa, que seu filho volte da festinha sem alguém tomar seu relógio, que sua mulher e sua filha não sejam estupradas.
População insiste em dizer que maior preocupação é salvar sua família
Mesmo com a roubalheira mostrando sua face mais terrível, em casos como o do INSS e do Banco Master, os entrevistados pelos institutos de pesquisas insistem em responder que sua maior preocupação é em salvar a própria pele e da família. Certa fatia dos políticos brasileiros tenta desviar o foco para os conflitos bélicos no Irã e na Ucrânia, mas o morador da periferia sonha mesmo é em ter um míssil como os de Donald Trump para jogar na boca de fumo e fazer churrasco de quem tirou a tranquilidade de seu bairro.
Outra vontade do povo, expressa em pesquisas, é que as polícias e as Forças Armadas atuem diretamente contra os bandidos. Determinados grupos da Polícia Federal, por exemplo, passaram diversos dos últimos anos atuando como auxiliares do Judiciário em delitos graves, porém, distantes de atingir as classes menos favorecidas. A PF deveria se unir a Exército, Marinha e Aeronáutica e ficar nas fronteiras impedindo a entrada de cigarros e outras drogas.
Esse é o link que os presidenciáveis vão descobrir quando percorrerem ruas e fazendas por todo o Brasil. Uma coisa é o que Brasília acha, outra é a que sofre o Brasil que a sustenta.










