Os profissionais que atuam no Hospital Municipal e Maternidade Célia Câmara (HMCC), em Goiânia, denunciam atraso no pagamento dos salários referentes ao mês de março e a ausência de acerto rescisório após a saída da organização social responsável pela gestão da unidade. A situação teve início após a Sociedade Beneficente São José (SBSJ) deixar a administração do hospital no dia 1º de abril, sem, segundo os trabalhadores, prestar esclarecimentos sobre os pagamentos pendentes.
De acordo com os relatos, desde a saída da entidade não houve qualquer depósito ou previsão concreta para regularização dos valores. Além disso, os servidores afirmam que não conseguem mais contato com representantes da antiga gestora.
Nas redes sociais, as reclamações se intensificaram nos últimos dias. Trabalhadores relatam dificuldades para arcar com despesas básicas e cobram uma solução urgente.
“Cadê meu salário e minha rescisão, pelo amor de Deus?”, escreveu uma servidora. Outros profissionais também reforçam o cenário de incerteza: “Estamos sem receber o salário e o acerto trabalhista”, “trabalhar sem receber é difícil” e “até hoje não recebemos o mês trabalhado, nem nosso acerto”. Há ainda relatos de profissionais que mencionam atrasos acumulados e a falta de previsão para pagamento.
Mudança de gestão e problemas no atendimento
A crise ocorre em meio à troca de gestão da unidade. No início de abril, a Prefeitura de Goiânia anunciou a suspensão preventiva do contrato com a SBSJ, após identificar problemas no funcionamento da maternidade, incluindo falta de médicos e dificuldades no atendimento. Na ocasião, o Instituto Patris assumiu de forma provisória a administração da unidade.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a decisão foi tomada após a pasta não receber comprovação de que as escalas médicas estavam completas e de que os estoques de insumos e medicamentos haviam sido regularizados. A SMS destacou ainda que todos os repasses financeiros destinados à gestão das maternidades municipais estavam sendo realizados em dia.
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Sindicato cobra solução e aciona órgãos
Diante da situação, o Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde em Goiás (Sindsaúde) afirma que acompanha o caso e cobra providências imediatas. Segundo a presidente da entidade, Néia Vieira, a situação representa “falta de compromisso” tanto da Prefeitura de Goiânia quanto da organização social que deixou a gestão, gerando prejuízos diretos aos profissionais e ao atendimento da população.
O sindicato informou que, no início de abril, entrou em contato com o secretário municipal de Saúde, Luiz Gaspar Pellizzer, que afirmou que cerca de 250 trabalhadores aguardam o pagamento das verbas rescisórias. Ainda segundo o relato, o secretário teria indicado que há recursos disponíveis, mas não soube detalhar como seria feito o pagamento, se por depósito em juízo ou com intermediação do Instituto Patris.
Com o agravamento do cenário, o Sindsaúde acionou o Ministério Público do Trabalho em Goiás (MPT-GO) e aguarda o agendamento de uma audiência de conciliação. A entidade também informou que acompanha o caso junto ao Conselho Municipal de Saúde e cobra atuação do Ministério Público de Goiás (MP-GO). Além disso, representantes do sindicato estiveram no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO) para verificar o acompanhamento da situação contratual da unidade.
Ainda de acordo com o sindicato, a situação deve ser discutida em audiência pública na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), com o objetivo de buscar soluções para a regularização dos salários e das verbas rescisórias. Apesar disso, até o momento, não há indicativo de paralisação formal das atividades, embora a possibilidade de mobilização não esteja descartada.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que os processos de rescisão contratual dos trabalhadores vinculados à SBSJ estão em andamento. A pasta afirmou que realiza tratativas administrativas, com acompanhamento técnico, para viabilizar a regularização das pendências.
A SMS também destacou que segue monitorando a situação e que as medidas cabíveis estão sendo adotadas. No entanto, não apresentou prazo para a quitação dos valores devidos. A reportagem entrou em contato com a direção da maternidade e com a Sociedade Beneficente São José, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.








