Pacientes com doença renal crônica atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Goiás têm uma alternativa à hemodiálise tradicional: a diálise peritoneal, modalidade que permite a realização do tratamento em casa, com acompanhamento de equipes especializadas.
O serviço passou a ser oferecido em mais regiões do estado após a ampliação da modalidade para as Policlínicas Estaduais de Formosa, Quirinópolis e Goianésia. Antes, o atendimento estava disponível apenas na unidade de Posse.
Quem pode ter acesso ao tratamento
A diálise peritoneal é indicada para pacientes com insuficiência renal crônica que atendam aos critérios clínicos definidos pelos nefrologistas responsáveis pelo acompanhamento. A escolha do tratamento leva em consideração fatores como as condições de saúde do paciente, o estágio da doença e a capacidade de realizar os procedimentos de forma segura no ambiente domiciliar.
Para ter acesso à modalidade, o paciente deve estar em acompanhamento médico e passar por avaliação especializada. Após a indicação do tratamento, ele e seus familiares recebem treinamento para realizar o procedimento corretamente, além de acompanhamento contínuo de equipes multiprofissionais.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), a ampliação da oferta busca facilitar o acesso ao tratamento renal, especialmente para moradores do interior, que muitas vezes precisam percorrer longas distâncias para realizar sessões de hemodiálise.
Como funciona a diálise peritoneal
Diferentemente da hemodiálise, que exige o comparecimento periódico a uma unidade de saúde, a diálise peritoneal pode ser feita em casa. O procedimento utiliza a membrana do abdômen para filtrar o sangue. Por meio de um cateter, um líquido especial é introduzido na cavidade abdominal para absorver toxinas e o excesso de líquidos do organismo, sendo posteriormente drenado.
Atualmente, o serviço de hemodiálise está disponível nas policlínicas estaduais de Formosa, Posse, Quirinópolis e Goianésia. Juntas, as unidades realizam cerca de 2,1 mil sessões por mês. A expectativa é que esse número aumente com a implantação do serviço na Policlínica Estadual da Região Rio Vermelho, na cidade de Goiás, que está em fase de estruturação.
Para a aposentada Erotides Figueiredo Lima, que realiza hemodiálise há 21 anos e se prepara para iniciar a diálise peritoneal em casa, a mudança representa a possibilidade de mais autonomia na rotina.
“Sou muito grata a todos os médicos e à equipe que estão me ajudando nesta nova fase da minha vida. Eles me transmitem muita segurança e confiança. Acredito que esse tratamento vai me trazer mais qualidade de vida”, relata.
Alternativa à hemodiálise
A doença renal crônica é caracterizada pela perda gradual da função dos rins e exige acompanhamento contínuo. Quando o órgão deixa de desempenhar adequadamente suas funções, tratamentos como a hemodiálise e a diálise peritoneal tornam-se essenciais para substituir parte desse trabalho e garantir a manutenção da saúde dos pacientes.
Embora nem todos os pacientes possam migrar para a modalidade domiciliar, especialistas apontam que a diálise peritoneal pode representar mais autonomia e flexibilidade para aqueles que possuem indicação clínica para o tratamento.


