O síndico do condomínio onde desapareceu a corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, em Caldas Novas, no sul de Goiás, Cleber Rosa de Oliveira foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) pelo crime de perseguição, conhecido como stalking, com agravante de abuso de função. A informação foi confirmada pelo advogado da família da vítima.
De acordo com a denúncia, Cleber teria perseguido Daiane de forma reiterada entre fevereiro e outubro de 2025, dentro do Condomínio Amethist Tower, onde ele atuava como síndico e a vítima era responsável pela administração de apartamentos pertencentes à mãe, alugados por temporada. Segundo o MP, o denunciado teria utilizado a posição de poder para constranger, intimidar e restringir a liberdade da corretora.
O documento aponta que os conflitos começaram após um desentendimento envolvendo a locação de um imóvel para um número de pessoas acima do permitido pelo condomínio. A partir disso, Cleber teria passado a dificultar solicitações administrativas feitas por Daiane, exigindo procedimentos considerados excessivos, como pedidos presenciais com assinatura reconhecida em cartório.
Ainda conforme a denúncia, discussões entre os dois eram frequentes, tanto presencialmente quanto por aplicativos de mensagens. Em um dos episódios, ocorrido em fevereiro de 2025, o síndico teria agredido fisicamente a vítima com uma cotovelada. O MP também afirma que Cleber monitorava a movimentação de Daiane e de hóspedes por meio das câmeras de segurança do condomínio, chegando a compartilhar imagens com familiares da corretora.
Outro ponto destacado é a suspeita de sabotagem nos apartamentos administrados por Daiane, com o fechamento de registros de água, desligamento de energia elétrica e interrupções em serviços como internet e gás. Para o Ministério Público, as ações configuram ameaça à integridade física e psicológica da vítima, além de violação de sua privacidade.
Desaparecimento
Daiane Alves de Souza foi vista pela última vez no próprio prédio onde a família mora, no centro de Caldas Novas, no dia 17 de dezembro. Desde então, ela não fez mais contato com familiares nem amigos.
Em entrevista exclusiva ao HOJE, a mãe da corretora, Nilse Alves Pontes, relatou que, no dia do desaparecimento, a filha desceu até o subsolo do condomínio para tentar restabelecer a energia elétrica, já que o apartamento estava sem luz.
Foto: Arquivo pessoal/Nilse Alves Pontes
Imagens das câmeras de segurança mostram Daiane entrando no elevador por volta das 19h, pouco antes de desaparecer. Ela aparece gravando um vídeo para uma amiga, sai da cabine em seguida e não retorna mais às imagens monitoradas.
Denúncia e andamento do caso
Com base nos fatos, Cleber Rosa de Oliveira foi denunciado por perseguição, conforme o artigo 147-A do Código Penal, com agravante por abuso de função. O Ministério Público também solicitou a fixação de indenização mínima por danos morais no valor equivalente a dois salários mínimos.
O caso tramita no 2º Juizado Especial Criminal de Caldas Novas. Até o momento, não há informação sobre manifestação da defesa do denunciado.









