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Professor de 30 anos usa videogames para ensinar a Primeira Guerra Mundial e revoluciona aulas em Goiás

Administrador Por Administrador
17 de fevereiro de 2026
Em Cidades
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Professor de 30 anos usa videogames para ensinar a Primeira Guerra Mundial e revoluciona aulas em Goiás

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O professor de História Pedro Santiago, de 30 anos, tem transformado a dinâmica das aulas no Colégio Estadual Martins Borges, na cidade de Rio Verde (GO), ao incorporar videogames como recurso pedagógico para ensinar sobre a Primeira Guerra Mundial. Com uma década de experiência em sala de aula, ele aposta na aproximação entre o conteúdo escolar e as linguagens que fazem parte do cotidiano dos estudantes.

A proposta surgiu da percepção de que o ensino tradicional poderia dialogar mais diretamente com o universo digital dos alunos. Em entrevista ao G1, Pedro explicou que o uso dos jogos não ocorre de forma improvisada, mas como parte de um planejamento estruturado. Os games funcionam como ponto de partida para debates, análises críticas e comparações com livros didáticos e outras fontes históricas.

“É claro que a aula fica mais divertida, mas a intenção é pedagógica. Sempre que iniciamos um bimestre, gosto de apresentar o conteúdo a partir de um jogo, enquanto contextualizo os acontecimentos históricos”, enfatiza o professor.

Entre os títulos utilizados estão Valiant Hearts: The Great War e Verdun, ambos ambientados na Primeira Guerra Mundial. O primeiro acompanha a trajetória de soldados e civis em meio ao conflito, inspirado em cartas e fatos reais, priorizando a dimensão humana da guerra. Já o segundo retrata a experiência nas trincheiras, evidenciando o uso de novas tecnologias bélicas e as estratégias de sobrevivência dos combatentes.

Durante uma aula ministrada em fevereiro de 2026, Pedro utilizou o contexto apresentado nos jogos para discutir o uso do gás mostarda, arma química empregada a partir de 1915 e símbolo da brutalidade da guerra de trincheiras. A substância provocava queimaduras graves, cegueira temporária e danos severos ao sistema respiratório.

Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal/ Pedro Santiago
Videogames para aprender
Segundo o educador, a receptividade dos alunos é positiva. O engajamento aumenta, e os estudantes passam a participar de forma mais ativa, levantando hipóteses, trazendo exemplos e ampliando o debate em sala. Muitas vezes, inclusive, eles dominam o jogo melhor do que o próprio professor.

“Quando analisamos o game com um olhar pedagógico, eles começam a perceber elementos que antes passavam despercebidos, como escolhas narrativas, estereótipos, silêncios e diferentes pontos de vista”, explicou. Pedro ressalta que o jogo não deve ser entendido como o passado em si, mas como uma reconstrução histórica, que precisa ser mediada e problematizada.

Além dos conteúdos diretamente relacionados à Primeira Guerra Mundial, o professor também já utilizou trechos de Red Dead Redemption 2 para discutir o Mito do Velho Oeste e o processo de industrialização, demonstrando como diferentes períodos históricos podem coexistir e como as transições não ocorrem de maneira abrupta.

Apesar dos desafios técnicos e estruturais que envolvem o uso de tecnologias na rede pública, Pedro adaptou a metodologia à realidade da escola. Ele reforça que os jogos são utilizados de maneira estratégica e complementar, nunca como único recurso.

Para o professor, quando há mediação adequada, o videogame pode se tornar um verdadeiro objeto de pesquisa histórica. “Cabe ao docente dar sentido pedagógico à ferramenta. Assim, estimulamos uma visão mais crítica e uma leitura mais complexa dos objetos digitais”, concluiu.

Leia também: Acidente na GO 060 mata quatro pessoas perto de Nazário (GO) e deixa cinco feridos

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