A prestação de contas do primeiro quadrimestre de 2026 do prefeito Sandro Mabel (União Brasil), nesta segunda-feira (6), foi marcada tanto pela apresentação de indicadores positivos das finanças quanto pelas críticas à condução da audiência pública da Comissão Mista na Câmara Municipal de Goiânia. Ao destacar o crescimento da arrecadação, o aumento dos investimentos e um novo superávit, o prefeito permaneceu pela primeira vez no plenário para responder aos questionamentos de parte dos vereadores. A condução da sessão, entretanto, foi alvo de críticas da oposição.
Durante a prestação, Mabel destacou a recuperação da capacidade de investimento da prefeitura. A receita total arrecadada no primeiro quadrimestre chegou a R$ 3,76 bilhões, que representa um crescimento real, que desconta a inflação do período, de 2,9%.
O principal destaque da apresentação foi o salto nos investimentos. As despesas destinadas à área passaram de R$ 35,7 milhões nos quatro primeiros meses de 2025 para R$ 292,9 milhões neste ano, crescimento nominal de 719,39%. As despesas totais da administração também avançaram, com registro de alta de 18,76% na comparação anual, impulsionada principalmente pelo aumento dos investimentos e das despesas de capital.
Os números apresentados também apontam que o município voltou a registrar superávit orçamentário. O saldo positivo foi de R$ 423,9 milhões no primeiro quadrimestre de 2026. Apesar do resultado favorável, o valor é inferior ao superávit de R$ 691,3 milhões obtido no mesmo período do ano passado.
Processo licitatório
Durante a prestação de contas, o prefeito também tratou sobre a situação do Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores de Goiânia (Imas). Mabel destacou que aguarda um parecer do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) sobre o processo licitatório para dar andamento na contratação da empresa que ficará a cargo da reestruturação do instituto.
Questionado se havia outra alternativa para reestruturação do Imas, o prefeito respondeu: “Só tem o plano A. Ou dá certo ou fecha”. A estimativa é de que o custo da contratação seja de R$ 12 milhões para a prefeitura.
Após a apresentação, Mabel, pela primeira vez em um ano e meio de gestão, permaneceu no plenário para responder às perguntas de parte dos vereadores. Desde que assumiu a chefia do Paço em 2025, o prefeito se esquivou do enfrentamento com os parlamentares e nunca havia permanecido no parlamento até o fim das prestações de contas.
Apesar de permanecer no parlamento, a maioria dos questionamentos vieram dos parlamentares da base. Os parlamentares Markim Goyá (PRD), Dr. Gustavo (Agir), Isaías Ribeiro (Republicanos), Daniela da Gilka (PRTB) e o líder do prefeito, Wellington Bessa (Mobiliza), foram os aliados de Mabel que falaram na tribuna. Entre os não aliados, apenas Coronel Urzêda (PL), que se considera independente, e Aava Santiago (PSB), de oposição ao prefeito, questionaram o chefe do Executivo municipal.
Articulação para limitar questionamentos
Ao O HOJE, Aava afirmou que houve uma articulação da base governista para limitar os questionamentos a Mabel. “Embora o prefeito de fato tenha ficado mais tempo, a gente viu uma clara manobra da base para que praticamente só vereadores da base fizessem perguntas. A prestação de contas acontece no plenário da Câmara, mas os seis primeiros inscritos para falar se inscreveram não aqui no plenário, mas lá na sala da presidência, em um café da manhã da base, do qual eu, por exemplo, não participei”, denunciou.
“O prefeito falou por mais de duas horas e a gente, quando vai questioná-lo, tem dois minutos e meio. A forma como foi conduzida teve um verniz de republicanismo, mas a tática é a mesma, impedir que os questionamentos mais duros sejam feitos”, ressaltou Aava.
A pessebista também avaliou que as respostas apresentadas pelo prefeito ficaram aquém dos questionamentos feitos pelos vereadores. “Ele não me explicou por que o contrato da Comurg é de mais de R$ 1 bilhão e a gente ainda mantém o contrato da LimpaGyn vigente, simultaneamente”, destacou.
“O prefeito fala em R$ 300 milhões de investimento, mas dois meses de contrato da Comurg já dá esse valor. Ele trata como se fosse um grande investimento, quando, na verdade, a empresa pública está consumindo um orçamento gigantesco.”
“Não ouve a oposição”
Em vídeo publicado nas redes sociais, o vereador Fabrício Rosa (PT) também cobrou que o prefeito respondesse os opositores. “Nós somos três vereadores do Partido dos Trabalhadores, nos inscrevemos para fazer a fala e, mais uma vez, ele com medo, não ouve a oposição”, disse. “A saúde está um caos, a cidade continua muito suja e o contrato da LimpaGyn foi cancelado pela Justiça. A sessão acabou e o prefeito não ouviu a oposição, e isso diz muito sobre a sua gestão autoritária”, frisou o parlamentar.
Questionado sobre a relação entre o Paço e a Câmara, o prefeito atribuiu os atritos ao processo de reorganização administrativa promovido no início da gestão. Segundo Mabel, as mudanças, os cortes de despesas e as medidas para reequilibrar as contas “naturalmente provocam resistências”.
“O primeiro ano e meio é muito difícil. Depois, as pessoas vão ver asfalto para todo lado, lançamento de oito UPAs, lançamento de um monte de UBSs. Vai melhorar a saúde, vai melhorando isso, aquilo, o trânsito vai melhorando. As pessoas começam a falar para eles [vereadores], os eleitores falam: ‘Poxa, mas a cidade está melhorando’. Aí, o cara não quer ficar de fora”, pontuou Mabel.
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