A relação entre parte dos vereadores da Câmara Municipal de Goiânia e o Paço Municipal voltou a estremecer na última semana. O motivo do destempero na relação entre alguns parlamentares e o prefeito Sandro Mabel (União Brasil) é a velocidade de tramitação das matérias do Executivo goianiense na Casa.
Durante reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) na última semana, o ritmo do andamento dos projetos na Casa foi motivo de discordância entre parlamentares da base e de vereadores de oposição e independentes. No centro da discussão estavam as matérias que tratam sobre o Programa de Autonomia Financeira das Unidades de Saúde (Pafus) e o Programa Morar no Centro, que estão sob análise do colegiado presidido pelo vereador Luan Alves (MDB).
O conflito teve início após os projetos não andarem com a celeridade que o Paço esperava. A situação não agradou o chefe do Executivo municipal que, desde a reforma na base aliada no segundo semestre do ano passado, cobra apoio integral e irrestrito dos vereadores aliados em todas as pautas de autoria do Paço.
Mabel, inclusive, tratou sobre o tema com o presidente da Câmara, Romário Policarpo (Cidadania), segundo relato de uma fonte ligada ao Paço em entrevista ao O HOJE. O prefeito, que mantém contato diário com os parlamentares aliados, articula com Policarpo para resolver o impasse.
Conforme apurado pela reportagem, a insatisfação do prefeito acontece, sobretudo, pelo entendimento de que se tratam de projetos importantes para o município. A Prefeitura de Goiânia estima que o Pafus viabilize até R$ 20 milhões em investimentos na saúde até 2027, enquanto o Morar no Centro pode oferecer até 50% de desconto no aluguel de imóveis no Centro da Capital por um período de três anos.
Entre críticas e pedidos na CCJ
Durante a reunião do colegiado, vereadores da base de Mabel se dividiram entre críticas e pedidos a Luan. Pedro Azulão Jr. (MDB) “pediu humildemente” para que os projetos fossem tratados com “seriedade”. Já o líder do prefeito na Câmara, vereador Wellington Bessa (DC), subiu o tom ao dizer que a cobrança era apenas pelo cumprimento do prazo regimental e que as matérias já tramitavam na Casa há 15 dias.
Alves rebateu ao citar que, em decorrência dos recentes feriados e das provas práticas do concurso público da Câmara, as semanas tiveram poucos dias úteis. “A pressa que hoje está na prefeitura é injustificada. Demorou muito para enviar os projetos e querem que a gente aprecie a toque de caixa, sem o devido conhecimento. Não vou aceitar isso nessa comissão”, disse o parlamentar. O presidente da CCJ ainda citou que há cerca de 200 projetos na comissão.
“Aqui não é o Paço que dita as regras. A comissão vai cumprir os trâmites necessários para todas as matérias, sejam do Executivo ou de autoria dos parlamentares”, completou o presidente. Luan recebeu o apoio dos vereadores Igor Franco (Podemos), Léo José (Solidariedade) e Kátia Maria (PT).
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Falta de diálogo
Além disso, Alves citou a falta de diálogo direto com o Paço. “Estamos sabendo de projetos pela imprensa. Amanhã chegam aqui querendo aprovação rápida, sem discussão. Isso não pode acontecer”, frisou o vereador.
Antes integrante da base, o presidente da CCJ deixou o grupo de aliados de Mabel na Câmara ainda em 2025. O parlamentar faz parte do grupo político liderado por seu pai, o deputado estadual Clécio Alves, que se filiou ao PSDB recentemente. Clécio apoia o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), que rivaliza com o governador Daniel Vilela (MDB), aliado de Mabel, na disputa pelo governo estadual.










