Goiás registrou um aumento de 15% nos casos de descumprimento de medidas protetivas entre 2024 e 2025. Segundo dados do Plano Estadual de Segurança Pública para o Combate à Violência Contra a Mulher, as ocorrências passaram de 3.923 para 4.609. O aumento acende o alerta para mulheres que continuam em situação de risco mesmo depois de conseguir uma determinação judicial contra o agressor.
Nesse cenário, a Associação Cultura, Cidade e Arte (ACCA) lança, no dia 25 de agosto, a Rede Conecta ACCA, uma plataforma digital gratuita que reúne informações sobre serviços de proteção e atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica.
A ferramenta estará disponível no site redeconecta.org e reúne informações dos 21 municípios da Região Metropolitana de Goiânia. A proposta é concentrar, em um único espaço, os principais serviços e canais que podem ser procurados pelas mulheres em situação de violência.
“A gente tem leis boas. O Brasil tem várias leis de defesa da mulher. Goiás também tem vários serviços. O problema é que esses serviços não estão integrados”, explica Márcia Pelá, pesquisadora e presidente da ACCA.
Segundo Márcia Pelá, conseguir uma medida protetiva representa apenas uma das etapas do processo de proteção. Depois de conseguir a determinação judicial, a mulher ainda pode precisar de atendimento psicológico, orientação jurídica, assistência social e outros tipos de apoio.
“A medida protetiva é uma porta de entrada. Mas o que a gente está vendo, além das medidas protetivas, é uma reincidência, uma revitimização da mulher. Em vários casos, chega ao feminicídio”, afirma Márcia Pelá.
A ideia da plataforma surgiu a partir de uma pesquisa realizada em 2021 com 180 mulheres em Goiânia. O levantamento identificou dificuldades enfrentadas pelas vítimas para encontrar informações e acessar os serviços disponíveis.
“Você vai ouvir essas mulheres e elas vão falar que, primeiro, não sabem aonde ir. Segundo, há uma dificuldade de atendimento. Enfim, falta informação e falta de integração”, relata.
Importância das redes de apoio
A pesquisa também identificou a importância das redes de apoio formadas por familiares, amigos e coletivos feministas. Segundo Márcia Pelá, 61% das mulheres entrevistadas recorrem inicialmente a esses grupos.
“Eles não substituem o Estado e não têm que substituir, mas têm que ser reconhecidos também como uma porta de proteção a essas mulheres.”
Para além do atendimento emergencial, a proposta é contribuir para que as mulheres consigam romper o ciclo de violência. Para isso, Márcia defende políticas públicas que garantam autonomia financeira e condições para que as vítimas reconstruam a própria vida.
“Outra coisa é você criar condições para que essas mulheres saiam da violência. E aí bate na renda e na autonomia. A gente precisa de políticas públicas permanentes para que essas mulheres realmente saiam da situação de violência.”
Mensagem de incentivo
Para as mulheres que ainda sentem medo mesmo depois de conseguir uma medida protetiva, a pesquisadora deixa uma mensagem de incentivo à busca por ajuda. “Nós, mulheres, não somos culpadas. Nós somos vítimas. Eu quero falar para você, mulher, que você não está sozinha.”
“Não tenha vergonha, não tenha medo. Entra na Rede Conecta e vê que tem vários serviços e lugares para que você se soma a outras mulheres, para que a gente tente controlar e parar com essa violência contra a gente”, finaliza Márcia Pelá.
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