O último final de semana foi marcado por movimentações políticas interpretadas pelos bastidores como um sinal que deixa claro a conjuntura de uma das principais pré-candidaturas ao Governo de Goiás.
Enquanto o vice-governador Daniel Vilela (MDB) esteve em Jaraguá em um evento que demonstra a consolidação da base governista em Goiás, seu adversário na disputa pelo Palácio das Esmeraldas, o bolsonarista e senador Wilder Morais (PL), esteve em um dos mais importantes redutos eleitorais do Estado durante realização de mais um evento do PL, o Rota 22.
Pré-candidato a governador e pré-candidata a vice governadora pelo PL, Wilder Morais e Ana Paula Rezende, na última edição do Rota 22 realizado no último sábado (14) em Anápolis – Foto: Reprodução Facebook
O encontro ocorreu no último sábado (14) em Anápolis e, ao que contrário do evento de Jaraguá, o espaço organizado para contribuir eleitoralmente à pré-candidatura de Wilder foi interpretado como um lugar que deixou explícito a divisão que o partido do senador se encontra, uma vez que estiveram ausentes os principais líderes da sigla como o deputado federal Gustavo Gayer, o vereador Major Vitor Hugo e o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa.
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Não é a primeira vez que possíveis desentendimentos de membros da sigla são postos publicamente, já que semana passada, durante passagem por Luziânia, Gayer demonstrou insatisfação ao deixar um evento do PL sem presenciar o discurso de Wilder que é dirigente estadual da sigla.
Deputado federal Gustavo Gayer (PL) – Créditos: Lula Marques/ABr
Tal ação é vista como a ausência de disposição de Gayer em atuar conjuntamente com o senador rumo à consolidação do projeto da sigla. Cabe destacar que a atual conjuntura do PL goiano é consequência de um conflito de interesses entre os dois grupos.
Divisão
Uma ala aliada a Gayer defendia que o partido buscasse aliança com a base de Daniel Vilela e do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Já a outra defende as mesmas ideias de Wilder no sentido de dar andamento à uma candidatura própria, sem alianças com outras legendas.
O senador avalia como melhor alternativa a manutenção de candidatura própria ao Governo, decisão que colaborou para a intensificação de conflitos internos na sigla, principalmente devido à vontade de Gayer em acumular forças com outros partidos para alavancar sua pré-candidatura ao Senado que de acordo com os interesses do deputado, deveria ser lançada juntamente com a pré-candidatura de Gracinha Caiado (UB) por meio de uma coligação entre o PL com partidos da base.
Primeira-dama Gracinha Caiado (UB) e deputado federal Gustavo Gayer (PL) – Foto: Reprodução
Já o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, é filiado ao PL, mas tem relação política antiga com Daniel, com quem já esteve no mesmo grupo em outras disputas eleitorais. Ao mesmo tempo, mantém parceria administrativa com o governo de Caiado em projetos e obras no município.
Aliados do prefeito entendem que Corrêa deseja não antecipar de qual lado está, porém, informações de bastidores demonstram que Caiado e Daniel consideram como válida a sinalização do prefeito à pré-candidatura do emedebista.
Diante desse cenário, cresce a percepção de que o PL dificilmente continuará unido na disputa majoritária em Goiás, e a ausência de Gayer no Rota 22 de Anápolis apenas reforça a leitura de que a divisão interna do partido está cada vez mais explícita.
Última edição do Rota 22 não contou com a presença de Gayer – Foto: Reprodução Facebook
Quanto à ausência do vereador Major Vitor Hugo (PL), interlocutores acreditam que pode ser algo ligado à proximidade que o vereador tem com Márcio Corrêa e, uma vez que o prefeito de Anápolis optou por não comparecer ao evento do PL, o vereador seguiu os mesmos passos sob suspeita de Corrêa ter orientado seu aliado a não estar presente no encontro político do partido.
A união é indispensável
De acordo com o cientista político Lehninger Mota, apesar do cenário atual apontar conflitos internos no PL em Goiás, não há outra alternativa para os membros da sigla a não ser manter a união com foco no direcionamento de apoio à Flávio Bolsonaro (PL) que disputa a presidência da República.
Wilder Morais (PL), senador e pré-candidato ao governo de Goiás juntamente com Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência da República – Créditos: Reprodução Redes Sociais
“Eu não vejo o racha como algo que possa impedir ambos de continuarem juntos no mesmo partido, porque não há outro caminho. Gayer precisa dos votos que são os votos ideológicos e o PL nacional exige a unidade do partido nos Estados com o intuito de formar palanque para Flávio Bolsonaro”, pontua Mota em entrevista ao O HOJE.










