Os micro e pequenos negócios brasileiros encerraram 2025 em um patamar mais elevado de atividade econômica, sustentados pela retomada gradual do consumo, pela força das vendas sazonais e por mudanças estruturais na gestão dos empreendedores. Dados do Índice SumUp do Microempreendedor (ISM) mostram que, em dezembro, a atividade avançou 5,26% na comparação com novembro, refletindo diretamente o impacto das compras de fim de ano sobre o caixa dos pequenos estabelecimentos. No acumulado de 2025, o índice nacional terminou cerca de 15,5% acima do nível registrado em janeiro, consolidando um movimento de recuperação iniciado ainda no primeiro trimestre.
Após um início de ano marcado por oscilações, o ISM passou a registrar crescimento contínuo a partir de fevereiro. O ritmo se intensificou no segundo semestre, quando o índice avançou aproximadamente 14,6%, sinalizando uma aceleração mais forte da atividade econômica na reta final do ano. O indicador é calculado a partir das vendas processadas pela SumUp e ajustado por fatores como sazonalidade, diferenças demográficas, participação dos estados no PIB e volume de transações, funcionando como um termômetro do consumo e da renda disponível entre micro e pequenos empreendedores.
Segundo Lilian Parola, economista e diretora de Mercado de Capitais e Tesouraria da SumUp para a América Latina, o resultado revela uma evolução consistente do segmento. “O desempenho anual reflete o aquecimento gradual da economia e uma melhor organização financeira das famílias. Mesmo com o custo elevado do crédito ainda exigindo cautela, os dados do segundo semestre mostram a resiliência e a capacidade de adaptação dos microempreendedores”, afirma.
Consumo reage e impulsiona a atividade no segundo semestre
O comportamento do consumo foi decisivo para o resultado de 2025. Datas sazonais, como Black Friday e Natal, sustentaram o avanço do faturamento e do volume de vendas, especialmente no varejo e em serviços ligados ao consumo cotidiano. A leitura do ISM indica que, apesar das restrições financeiras e do ambiente de juros elevados, os pequenos negócios conseguiram ajustar estoques, preços e meios de pagamento para preservar a atividade.
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A trajetória ao longo do ano também sugere recomposição gradual da renda das famílias, o que favoreceu negócios de menor porte, mais dependentes do mercado interno. O índice nacional fechar 2025 15,5% acima de janeiro reforça a ideia de que o crescimento não se limitou a um efeito pontual, mas foi distribuído ao longo do ano, com maior intensidade no segundo semestre.
Estados avançam em ritmos diferentes ao longo de 2025
O recorte regional do ISM mostra crescimento desigual entre os estados em 2025, com destaque para o Ceará, que liderou o ranking nacional ao atingir 151,06 pontos em dezembro, alta mensal de 3,1% e avanço acumulado de 31,47% no ano, refletindo um consumo mais aquecido. O Rio de Janeiro manteve trajetória positiva, com 133,34 pontos em dezembro e crescimento de 26,35% em 2025, enquanto São Paulo avançou para 107,79 pontos no mês, com alta mensal de 2,79% e desempenho relevante no acumulado anual. Minas Gerais apresentou estabilidade no fim do ano, fechando dezembro com 111,51 pontos e crescimento de 12,26% em 12 meses. Já a Bahia teve o resultado mais fraco entre os estados analisados, com queda de 2,11% em dezembro, embora ainda tenha encerrado 2025 10,5% acima do nível registrado em janeiro.
Crédito regional ajuda a sustentar pequenos negócios
Além do consumo, o acesso ao crédito teve papel relevante na sustentação dos micro e pequenos negócios, especialmente em nível regional. Em Goiás, a GoiásFomento encerrou 2025 com R$ 59,6 milhões liberados em financiamentos, distribuídos em 1.173 operações em todo o estado. Segundo a instituição, os recursos contribuíram para a geração e manutenção de 3.048 empregos diretos.
Os financiamentos atenderam setores como agronegócio, turismo, comércio, indústria e serviços, com maior concentração em pequenos negócios. No turismo, a agência opera linhas com recursos do Fundo Geral do Turismo (Fungetur). Desde 2019, foram 710 contratos, somando R$ 69 milhões em financiamentos destinados a hotéis, pousadas e serviços turísticos. Outra mudança relevante foi a ampliação do limite de crédito por tomador, que passou de R$ 2 milhões para R$ 5 milhões em linhas com recursos de repasses como FCO, Fungetur, Finep e BNDES. Entre 2019 e 2025, essas linhas totalizaram quase R$ 12,7 milhões em empréstimos.
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No agronegócio, a linha Produtor Empreendedor manteve crescimento contínuo. Desde 2019, foram cerca de R$ 17 milhões contratados, sendo R$ 5,14 milhões apenas em 2025, distribuídos em 91 operações. Os financiamentos resultaram na criação e manutenção de mais de 90 empregos, sobretudo em propriedades rurais de pequeno e médio porte. A agência também executa financeiramente 21 programas sociais estaduais, que alcançam cerca de 4 milhões de beneficiários. Em 2025, essa frente movimentou R$ 1,27 bilhão.
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Inteligência artificial entra na rotina dos pequenos negócios
Outro fator que marcou 2025 foi o avanço da tecnologia na gestão dos pequenos negócios. Um levantamento da InfinitePay mostra que a inteligência artificial deixou de ser um recurso secundário e passou a atuar como apoio direto à operação das empresas. A análise, baseada em milhões de interações com o assistente JIM, aponta cinco principais usos da IA pelos empreendedores: pagamentos e transações financeiras, consultoria em tempo real, auditoria e controle de caixa, criação de campanhas de marketing e análise de crédito voltada à expansão.
Com mais de 6 milhões de clientes ativos, o assistente de IA em negócios se consolidou como a maior plataforma de inteligência artificial generativa voltada a micro e pequenos empreendedores no Brasil. A tecnologia cruza dados diários, como volume de vendas, fluxo de caixa e tíquete médio, com modelos avançados de IA para apoiar decisões estratégicas.










