A implantação do primeiro pedágio na modalidade free flow em Goiás, prevista para começar em abril, tem provocado debate entre autoridades e moradores de municípios da Região Metropolitana de Goiânia. O novo modelo, que dispensa cancelas e realiza a cobrança automática por meio de sensores e câmeras, será instalado em trechos das rodovias BR-060 e BR-452, sob concessão do Consórcio Rota Verde Goiás.
Apesar da promessa de maior fluidez no trânsito e modernização da infraestrutura, a cobrança tem sido alvo de críticas, especialmente em Abadia de Goiás. O prefeito do município, Wander Saraiva, tem cobrado isenção para moradores que se deslocam diariamente à Capital para trabalhar, estudar ou acessar serviços essenciais.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o gestor afirma que não houve consulta ao município durante o processo conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e critica a cobrança para a população local. Segundo ele, a cidade depende diretamente de Goiânia para serviços de saúde, educação e sistema bancário.
O prefeito relata que tentou negociar com a concessionária a isenção para veículos com placa de Abadia de Goiás, sem sucesso. Diante disso, ele informou que o município ingressou com uma ação civil contra órgãos federais e a empresa responsável pela concessão, com pedido liminar para suspender a cobrança aos moradores. “Vamos lutar até o último momento para que o cidadão de Abadia não seja lesado”, destacou.
Definição da data de início da cobrança e dos valores das tarifas do pedágio cabe à ANTT
Foto: Divulgação/Rota Verde
Em nota enviada à reportagem do jornal O HOJE, a Rota Verde Goiás informou que a definição da data de início da cobrança e dos valores das tarifas cabe à ANTT, conforme previsto em contrato. A concessionária destacou ainda que a localização dos pórticos foi definida pelo Governo Federal após estudos técnicos e audiências públicas realizadas antes do leilão.
Ao todo, sete pontos de cobrança serão implantados ao longo das rodovias. A tarifa varia de acordo com o trecho percorrido, já que o modelo considera a distância rodada. As estruturas metálicas instaladas sobre a pista contam com câmeras, sensores e antenas capazes de identificar automaticamente os veículos por leitura de placa ou por meio de TAG eletrônica.
Para veículos pesados, o sistema também realiza a contagem de eixos, o que influencia diretamente no valor da tarifa. A cobrança será feita em nome do proprietário do veículo, que terá até 30 dias para efetuar o pagamento por aplicativo, site da concessionária ou totens de autoatendimento nos Serviços de Atendimento ao Usuário.
O não pagamento dentro do prazo configura infração grave, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação, conforme o Código de Trânsito Brasileiro. A penalidade não elimina a obrigação de quitar a tarifa.
A concessionária informou que as motocicletas serão isentas em todos os pontos de cobrança. No entanto, não há previsão legal para ampliar o benefício a outros grupos, como moradores ou trabalhadores que utilizam diariamente o trecho. Sobre a demanda de Abadia de Goiás, a empresa afirmou que mantém diálogo com a prefeitura, mas reforçou que está limitada às regras contratuais.
Como alternativa para reduzir os custos de usuários frequentes, a Rota Verde anunciou a adoção do Desconto de Usuário Frequente (DUF). O benefício será aplicado automaticamente para veículos com TAG e prevê redução progressiva no valor da tarifa conforme o número de passagens pelo mesmo pórtico ao longo do mês. Ao chegar à trigésima passagem, o valor com o desconto permanece fixo até o último dia do mês. Os valores com o desconto são calculados automaticamente e cobrados na fatura da operadora de TAG.
Outra medida destacada pela concessionária é a instalação de pórticos separados por sentido no primeiro ponto de cobrança, o que fará com que moradores de Abadia paguem pedágio apenas na ida para Goiânia, e não no retorno.
Enquanto o início da cobrança aguarda autorização final da ANTT, o tema segue em debate e deve ganhar novos desdobramentos judiciais e políticos nas próximas semanas.









