Bruno Goulart
Em duas semanas, o governador Ronaldo Caiado (PSD) deve deixar o Governo de Goiás para que seu vice, Daniel Vilela (MDB) assuma o comando do Estado. Ainda assim, a avaliação de deputados estaduais ouvidos pelo O HOJE é de que pouca coisa deve mudar na relação com a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), pelo menos neste primeiro momento.
Hoje, o governo tem uma base ampla e bem organizada dentro da Alego. Isso significa que Daniel Vilela deve assumir com apoio suficiente para manter a governabilidade e seguir aprovando projetos sem grandes dificuldades. Por isso, a tendência é de continuidade, tanto na parte política quanto na administrativa.
O líder do governo na Assembleia, deputado Talles Barreto (União Brasil), afirma à reportagem que está disposto a continuar na função, mas deixa claro que a decisão será do novo governador. “Eu tenho disposição de continuar, mas o Daniel é quem tem que decidir. Iremos respeitar”, disse.
Sobre possíveis mudanças no andamento do governo, Talles foi direto: não deve haver alteração no cronograma de obras, entregas e inaugurações. Segundo ele, a expectativa é que o ritmo seja mantido. “Não vai mudar. Daniel terá que fazer um governo melhor que o Ronaldo”, afirmou.
Deputados estão preocupados com reeleição
Apesar da troca no comando, o deputado destaca que a principal preocupação dos parlamentares neste momento é outra. Segundo ele, o foco está mais na política eleitoral do que na mudança de governo. “Os deputados não estão agoniados com a mudança de governo, mas com a montagem de chapa e a indefinição partidária, principalmente por conta da ida do Caiado para o PSD”, explicou.
Leia mais: Desunião entre PL e PSD agrada Flávio e prejudica Ratinho Jr.
Essa indefinição afeta diretamente os planos dos deputados para as próximas eleições. Eles precisam avaliar em qual partido vão ficar e quais são as chances reais de reeleição. Esse movimento, segundo Talles, deve ganhar força nos próximos dias. “Acredito que a partir da semana que vem, após o MotoGP, isso possa mudar um pouco”, disse.
Já o deputado Issy Quinan (MDB) também aposta em continuidade e destaca que Daniel Vilela já conhece bem o funcionamento do governo. “A relação da Assembleia será a mesma, com sintonia e solidariedade institucional. Daniel está totalmente ambientado, tanto do ponto de vista político quanto do administrativo”, afirmou ao O HOJE.
Issy lembra que Daniel já atua como uma espécie de ponte entre o governo e outras lideranças políticas. “Ele tem sido o grande interlocutor do Caiado em várias esferas. Tem recebido deputados, prefeitos”, disse.
Para o parlamentar, não há espaço para mudanças bruscas na gestão. A ideia é manter o que já está funcionando e fazer apenas ajustes pontuais. “Daniel está assumindo um governo de continuidade. Não existe espaço para qualquer alteração brusca. Vão ocorrer mudanças pontuais, mas, no mais, é dar sequência a um governo que vem dando certo”, explicou.
Sobre a liderança do governo na Alego, Issy também não vê motivo para mudança. “Na minha ótica, não muda nada na liderança de governo. Talles Barreto vem fazendo um bom trabalho. A tendência é que ele continue, mas é algo que Daniel vai decidir”, afirmou.
A decisão sobre manter ou trocar o líder do governo deve ser uma das primeiras definições políticas do novo governador. Mesmo assim, como a base é ampla, qualquer mudança não deve afetar a relação com os deputados.
Enquanto isso, nos bastidores, o clima é de articulação. A troca no comando do governo acontece em um momento em que partidos e lideranças já começam a se organizar para as próximas eleições. Isso faz com que a atenção de muitos deputados esteja voltada mais para o futuro político do que para a mudança administrativa em si.










