Bruno Goulart
O cenário político brasileiro sempre foi marcado por divisões regionais acentuadas, mas os dados mais recentes da pesquisa Genial/Quaest, divulgada neste mês, trouxeram um diagnóstico sobre o comportamento do eleitorado no Centro-Oeste. Goiás desponta como o Estado com a pior avaliação do governo do presidente Lula da Silva (PT) entre as dez principais unidades da federação analisadas. De acordo com o levantamento, 61% dos entrevistados goianos desaprovam a gestão federal, ao passo que apenas 37% afirmam aprovar o trabalho do petista.
Além da desaprovação recorde, o Estado também lidera no índice de avaliação negativa do governo. Conforme dados apresentados, cerca de 49% dos eleitores goianos classificam a administração atual como “ruim” ou “péssima”, o maior percentual registrado em todo o estudo nacional. Em contrapartida, somente 23% consideram o governo “ótimo” ou “bom”. Esse distanciamento severo não se limita apenas à avaliação do mandato corrente, mas contamina fortemente as pretensões eleitorais futuras do grupo governista.
Rejeição pessoal
Quando o assunto é o futuro político e a viabilidade para as eleições presidenciais de 2026, os números se tornam ainda mais desafiadores para o PT. Ao serem questionados sobre a possibilidade de dar um novo voto ao petista, 66% dos eleitores de Goiás foram categóricos ao afirmar que “conhecem e não votariam” no presidente. Esse índice de rejeição pessoal só é superado, por uma margem mínima, pelo Estado do Paraná, que registra 68%.
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Com o objetivo de entender as alternativas do eleitorado, as simulações de segundo turno para a disputa presidencial de 2026 deixam claro o favoritismo das forças de direita no Estado. Em um cenário de confronto direto entre Lula e o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), a diferença é gritante. Caiado alcança 51% das intenções de voto em sua terra natal, enquanto o atual presidente registra apenas 26%.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 11.646 eleitores em dez Estados brasileiros entre os dias 21 e 28 de abril de 2026
Mas, afinal, o que explica esse comportamento?
Para compreender a raiz de uma rejeição tão expressiva, é necessário olhar além dos números frios da pesquisa e analisar a estrutura econômica e cultural do Estado. Em primeiro lugar, Goiás é um dos motores mais pujantes do agronegócio brasileiro. O setor de produção rural goiano é altamente moderno, dinâmico e integrado ao mercado internacional de commodities. Historicamente, os produtores rurais e as frentes econômicas que giram em torno do campo possuem um alinhamento profundo com o pensamento econômico liberal e com lideranças de direita.
Ademais, existe um conflito histórico de narrativas entre as pautas da esquerda tradicional e o produtor de Goiás. Questões ligadas à segurança jurídica no campo, demarcação de terras e invasões de propriedades agrárias criam uma barreira natural de desconfiança em relação ao governo petista. Dessa forma, a percepção de que a gestão federal adota uma postura hostil ou indiferente ao agronegócio inflama o sentimento de oposição.
Em segundo lugar, a forte identidade cultural conservadora e o perfil religioso da população. Goiás abriga uma grande comunidade evangélica, que é muito articulada politicamente, somada a um eleitorado católico tradicional. Pautas de costumes, visões sobre a estrutura familiar e debates morais propostos por alas progressistas geram estranhamento na sociedade goiana.
Por fim, não se pode ignorar o peso político do caiadismo. O ex-governador Ronaldo Caiado é uma das vozes mais respeitadas da direita brasileira, com raízes no agronegócio. Goiás é um caso único no Brasil, onde nem Lula, nem Flávio lideram a pesquisa para a Presidência da República. Aqui, Caiado aparece à frente da corrida, com 38% das intenções de voto. (Especial para O HOJE)


