A investigação contra uma dentista presa em Goiânia por suspeita de causar deformidades e sequelas graves em pacientes após procedimentos estéticos ganhou novos desdobramentos nos últimos dias. Após a prisão preventiva da profissional, novas vítimas procuraram a Polícia Civil para denunciar complicações decorrentes de intervenções realizadas na clínica localizada no Setor Bueno.
Com os novos relatos, o número de pacientes que afirmam ter sofrido lesões, deformidades e sequelas permanentes aumentou significativamente, ampliando o alcance das investigações conduzidas pela Polícia Civil de Goiás.
Segundo os investigadores, as denúncias envolvem procedimentos como rinoplastia, lipoaspiração de papada, bichectomia e cirurgias faciais consideradas de maior complexidade. As vítimas relatam complicações que incluem infecções, fibroses, necroses, cicatrizes permanentes e alterações estéticas graves.
Polícia apura atuação sem habilitação específica
De acordo com a apuração policial, a profissional não possuía autorização necessária para realizar parte dos procedimentos executados na clínica no período investigado. As investigações apontam que algumas intervenções eram feitas em ambiente considerado inadequado para procedimentos invasivos, sem a estrutura exigida para atendimentos de maior complexidade.
Um dos pontos que chamou atenção dos investigadores foi o relato de pacientes sobre procedimentos que duravam várias horas. Há registros de atendimentos que teriam ultrapassado 12 horas de duração. Em um dos casos analisados pela polícia, a dentista teria interrompido uma intervenção para fazer contato telefônico e buscar orientações sobre a execução do procedimento que realizava naquele momento.
Clínica foi interditada e bens bloqueados
A operação que resultou na prisão contou com apoio da Vigilância Sanitária, que interditou a clínica durante o cumprimento dos mandados judiciais. Além da prisão preventiva, a Justiça autorizou buscas em imóveis ligados à investigada e determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 600 mil em bens e valores.
Durante a ação, policiais apreenderam prontuários, documentos, contratos, equipamentos e aparelhos eletrônicos que serão analisados para aprofundar as investigações. Uma funcionária também foi presa em flagrante após suposta tentativa de esconder materiais e objetos que poderiam interessar à apuração policial.
Caso reacende debate sobre procedimentos estéticos
O caso voltou a levantar discussões sobre os limites da atuação de profissionais da área estética, a fiscalização de clínicas e os riscos de procedimentos realizados sem a qualificação necessária. Especialistas alertam que intervenções estéticas invasivas exigem formação específica, protocolos rígidos de segurança e acompanhamento adequado antes, durante e após os procedimentos.
O Conselho Regional de Odontologia informou que procedimentos cirúrgicos faciais mais complexos só podem ser realizados por profissionais que possuam habilitação e especialização reconhecidas para esse tipo de atuação.
A Polícia Civil segue recebendo novas denúncias e não descarta o surgimento de outras vítimas. A investigação apura possíveis crimes relacionados a lesão corporal, exercício irregular da profissão, funcionamento inadequado do estabelecimento e outras infrações que possam ter ocorrido durante os atendimentos.


