Um estudo científico aponta que a mosca-lanterna-pintada, inseto nativo da China, passou por adaptações genéticas que favoreceram sua rápida disseminação pelos Estados Unidos. Desde 2024, a espécie vem se espalhando por diferentes estados norte-americanos, com impactos diretos sobre a vegetação e a agricultura.
De acordo com a pesquisa, os insetos desenvolveram maior resistência ao calor urbano e a pesticidas ainda em seu país de origem. Dessa forma, ao chegarem aos Estados Unidos, já apresentavam características genéticas que facilitaram a adaptação a novos ambientes. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Nova York, em parceria com outras instituições, e publicado na revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences.
Mosca chinesa. Foto: Divulgação
Adaptação genética e ambientes urbanos
A princípio, os pesquisadores observaram que as moscas-lanternas-pintadas não apenas sobreviveram às pressões ambientais das cidades, como também utilizaram esses espaços como ambientes favoráveis à seleção genética. Assim, fatores como altas temperaturas e exposição frequente a produtos químicos atuaram como agentes de adaptação.
Segundo a autora principal do estudo, Fallon (Fang) Meng, as pressões urbanas contribuíram para a formação de populações mais resistentes. Em entrevista ao portal Live Science, ela explicou que o contato constante com calor e pesticidas permitiu que os insetos desenvolvessem mecanismos mais eficientes de desintoxicação e metabolismo de substâncias químicas.
Foto: Divulgação
Metodologia e principais achados
Para chegar aos resultados, os pesquisadores realizaram o sequenciamento genético de moscas coletadas em áreas urbanas e rurais da China, além de exemplares encontrados em estados norte-americanos como Connecticut e Nova Jersey. Em seguida, os genomas foram comparados para identificar diferenças populacionais.
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A análise revelou que moscas urbanas e rurais da China apresentavam diferenças genéticas significativas, mesmo quando separadas por distâncias relativamente curtas. Já nos Estados Unidos, os insetos apresentavam alta similaridade genética entre si, independentemente da região. Ou seja, a adaptação teria ocorrido antes da introdução da espécie no país.
Foto: Divulgação
Impactos ambientais e riscos agrícolas
Apesar do nome, a mosca-lanterna-pintada não é uma mosca. Ela pertence à família dos percevejos-das-plantas. Para se alimentar, o inseto suga a seiva dos vegetais e, ao mesmo tempo, excreta um fluido açucarado e pegajoso. Esse resíduo favorece o crescimento de fungos conhecidos como fumagina, que prejudicam a fotossíntese das plantas.
Além disso, o fluido pode confundir abelhas, que passam a coletá-lo em vez de buscar néctar diretamente nas flores. Atualmente, a espécie já foi identificada em pelo menos 19 estados dos Estados Unidos, além de registros na Coreia do Sul e no Japão. As autoridades ambientais seguem monitorando a expansão do inseto e seus efeitos sobre os ecossistemas locais.








