O União Brasil (UB) de Goiás enfrenta preocupações relativas à saída do governador Ronaldo Caiado, que se filiou ao PSD de Gilberto Kassab. Deputados estaduais da sigla falam sobre a ausência de diálogo e dificuldades na definição da nominata para a formação de chapas com nomes que compõem a legenda.
Porém, Caiado considera importante a manutenção de diálogo com líderes de seu antigo partido, que ainda não se pronunciou sobre o lançamento de candidatura própria à Presidência da República.
Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab – Créditos: Wesley Costa Secom Goiás
A movimentação de deputados do UB mostra a tentativa de montagem de chapa proporcional e análise da possibilidade de haver migração para partidos com mais estrutura, com capacidade de puxar votos. Assim, siglas como o MDB e a federação entre PRD, sob grande influência do presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto (UB), e o Solidariedade estão na mira de parlamentares insatisfeitos com a atual conjuntura do UB.
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Sem rupturas
Analistas políticos afirmam que, apesar de fazer parte do PSD, Caiado continua empenhado em cooperar com o ex-partido por meio de conversas com dirigentes e, inclusive, confirmou na última sexta-feira (30/1) que a primeira-dama e pré-candidata ao Senado, Gracinha Caiado (UB), assumirá o comando estadual da legenda.
Primeira-dama Gracinha Caiado (UB) – Créditos: Remisson Sales e Walter Folador
Nos bastidores, o que se sabe é que as discussões em torno da presidência estadual do UB apontam para a possibilidade do prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), assumir o cargo. A justificativa do presidente nacional do partido, Antônio Rueda, em sugerir o nome de Mabel para o diretório estadual, tem a ver com a boa relação que o prefeito possui com uma das figuras mais simbólicas do centrão, o senador Ciro Nogueira (PI), que é presidente nacional do PP.
Alguns desentendimentos ocorreram entre Nogueira e Caiado, o que motivou a proposta do nome de Mabel para suceder o governador no comando estadual da sigla, já que o UB encontra-se federado com o PP.
Sobre a situação do UB depois da saída de Caiado, Mabel disse ao jornal O Popular que a escolha de seu nome ou o de Gracinha para comandar o diretório estadual ficaria a cargo do governador, mesmo que agora no PSD.
Primeira-dama Gracinha Caiado e Sandro Mabel – Créditos: Divulgação
Nomes propostos
Interlocutores disseram ao jornal O HOJE que, além do prefeito de Goiânia e de Gracinha, nos bastidores cogita-se o nome do progressista Alexandre Baldy para assumir o comando estadual de parte da federação União Progressista, uma vez que a primeira-dama e o prefeito de Goiânia foram sugeridos para suceder Caiado na presidência do UB.
Já sobre a possibilidade de colaboração do governador com seu antigo partido no sentido de viabilizar a formação de chapas para deputado estadual e federal do UB e do PP, é algo que dependerá da autonomia que Rueda pode ceder ou não a Caiado.
Presidente nacional do UB, Antônio Rueda – Créditos: Divulgação União Brasil
Analistas afirmam que a definição ainda é permeada por dúvidas, inclusive sobre a forma com que Caiado deve tratar tanto o UB quanto o PP. Nesse sentido, interlocutores veem como melhor saída para o governador a indicação de Gracinha para o diretório estadual do partido de Rueda em Goiás. Dessa forma, seria maior a chance de o pré-candidato à Presidência da República conseguir dialogar com parlamentares e demais membros de seu ex-partido.
Risco de embates
Caso tal função esteja nas mãos de Mabel, analistas avaliam uma maior probabilidade de embate entre o prefeito e o governador. Vale lembrar que, nos bastidores, observa-se que ambos possuem muitas divergências, que ficaram evidentes a partir do momento em que Caiado passou para o Estado o controle das deliberações sobre o transporte coletivo da Região Metropolitana.
Caiado e Sandro Mabel – Créditos: Reprodução
“É esse o caminho. É saber o tamanho da autonomia que Caiado terá nesses partidos para saber o quanto o governador vai se esforçar para que essas legendas obtenham bons resultados nas eleições de 2026”, pontua o cientista político Lehninger Mota.
Na mesma linha de raciocínio, o sociólogo Jones Matos comenta sobre o futuro do antigo partido de Caiado no Estado. “Vejo que o UB deverá mudar de rumo em Goiás e ser um grupo mais independente, pois ainda não sabemos se a sigla será dirigida pelo grupo do governador”, observa o sociólogo. (Especial para O HOJE)










