O Irã voltou a ameaçar os Estados Unidos nesta quinta-feira (30) ao afirmar que poderá retomar ataques contra aliados de Washington e intensificar ações militares caso o cessar-fogo seja rompido. A sinalização ocorre enquanto as negociações permanecem travadas e o Estreito de Ormuz segue fechado.
O comandante da força aeroespacial da Guarda Revolucionária declarou que o país está preparado para reagir a qualquer nova ofensiva norte-americana com “ataques duradouros e dolorosos”. Segundo ele, navios da Marinha dos Estados Unidos que participam do bloqueio naval na entrada do estreito poderão ser alvo de ofensivas iranianas. “Vimos o que aconteceu com suas bases regionais e veremos o mesmo acontecer com seus navios de guerra”, afirmou Majid Mousavi, segundo a mídia estatal.
Pelo acordo, que teve início em 8 de abril, o Irã suspendeu ataques a países do Golfo aliados dos EUA, enquanto Washington e Israel interromperam bombardeios em território iraniano.
Nova fase para Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz
A declaração aconteceu no mesmo dia em que o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, elevou o tom e afirmou que “um novo capítulo para o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz está se desdobrando”. Em mensagem divulgada pela TV estatal, ele disse que o país pretende consolidar sua influência na região e retirar a presença norte-americana do Golfo Pérsico. “Hoje, com o passar de dois meses desde a maior mobilização militar e agressão dos tiranos do mundo na região e o fracasso humilhante dos Estados Unidos em seu plano, um novo capítulo do Golfo Pérsico e do Estreito de Ormuz está sendo escrito”, declarou.
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Khamenei também afirmou que as capacidades nucleares e de mísseis do país são um patrimônio nacional e serão defendidas pela população. “Noventa milhões de compatriotas iranianos consideram todas as capacidades identitárias, espirituais, humanas, científicas, industriais e tecnológicas — das áreas de nanotecnologia e biotecnologia até as nuclear e de mísseis — como seu patrimônio nacional e as defenderão assim como defendem as fronteiras marítimas, terrestres e aéreas”, disse.
O líder ainda fez críticas diretas à presença norte-americana na região. “Os Estados Unidos não têm lugar no Golfo Pérsico, a não ser no fundo do mar”, afirmou. Em outro trecho, acrescentou: “O futuro brilhante do Golfo Pérsico será um futuro sem os EUA e a serviço do progresso, do conforto e do bem-estar de suas nações”.
Apesar das declarações, o cenário no estreito permanece marcado por acusações mútuas. O Irã denuncia o bloqueio naval imposto pelos EUA, que impede a exportação de petróleo iraniano, considerado essencial para a economia do país. Já Washington acusa Teerã de ameaçar a navegação comercial com ataques a embarcações.
Estreito de Ormuz (Foto: Reprodução/ Google Maps)
Bloqueio em Ormuz está “asfixiando a economia mundial”
Dois meses após o início da guerra, provocada por ataques israelenses e norte-americanos em 28 de fevereiro, o Estreito de Ormuz continua fechado. A interrupção atinge cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo e gás, elevando os preços internacionais e aumentando os riscos para a economia global.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para os impactos do bloqueio. “O fechamento dessa rota marítima vital está asfixiando a economia mundial”, afirmou. Segundo ele, mesmo que a circulação fosse retomada imediatamente, “as cadeias de suprimentos levarão meses para se recuperar, prolongando a menor produção econômica e os preços altos”.
Sem avanço nas negociações para encerrar o conflito, e com novas ameaças militares, a disputa mantém elevada a tensão no Oriente Médio e amplia a incerteza sobre o abastecimento global de energia.










