A Corte de Apelação de Roma decidiu, nesta quinta-feira (16/4), aceitar a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli também no processo relacionado ao porte ilegal de arma de fogo. Com isso, a Justiça italiana avançou em mais um pedido feito pelo Brasil contra a ex-parlamentar. Antes disso, o tribunal já havia autorizado a extradição no caso da invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 5 anos e 3 meses de prisão, em regime semiaberto, além da perda do mandato, no caso em que perseguiu um homem armada nas vésperas da eleição de 2022. A condenação foi assinada por uma das turmas da Corte e se somou ao outro processo, no qual ela recebeu pena de 10 anos e 8 meses de prisão pela invasão dos sistemas do CNJ e pela inserção de documentos falsos na plataforma.
Condenações no Brasil
Os dois casos contra Carla Zambelli já têm trânsito em julgado no Brasil, ou seja, não cabem mais recursos. No processo do CNJ, o STF apontou que ela participou da articulação da invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça, em 2023. Já no episódio da arma, a Corte entendeu que houve porte ilegal e constrangimento ilegal.
Depois da condenação ligada ao CNJ, Zambelli deixou o Brasil e foi para a Itália. A Procuradoria-Geral da República pediu sua prisão preventiva, e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, atendeu ao pedido. Em seguida, o nome da ex-deputada entrou na lista vermelha da Interpol, usada para localizar foragidos internacionais.
Em 29 de julho de 2025, Zambelli foi presa em um apartamento em Roma. Na ocasião, a Corte de Apelação de Roma citou “grave risco de fuga” ao determinar a prisão.
O que ainda falta para a extradição
Mesmo com a decisão desta quinta-feira, a extradição ainda não está fechada. A defesa de Carla Zambelli pode recorrer na Justiça italiana. Além disso, a palavra final sobre o envio da ex-deputada ao Brasil caberá ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que poderá confirmar ou rejeitar a decisão do tribunal.
Se a extradição for mantida, Zambelli deve ser enviada ao Brasil para cumprir pena. A expectativa, de acordo com as informações já citadas no processo, é de que ela fique presa na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), a Colmeia.
A situação da ex-parlamentar também passou pela Câmara dos Deputados. Após as condenações, a Casa abriu um processo para cassar o mandato dela, mas o pedido não alcançou os votos necessários e acabou arquivado em dezembro do ano passado. Dias depois, o STF anulou a votação e determinou a perda do mandato. Em seguida, Zambelli renunciou ao cargo na Câmara.










