Bruno Goulart
A investigação da Polícia Federal que mira suspeitas envolvendo o líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA) e o Banco Master abriu uma nova frente de desgaste político para o PT e para o governo do presidente Lula da Silva. Embora o partido tente tratar o caso como um episódio isolado, restrito à Bahia e à atuação individual de Wagner, a oposição deve explorar o assunto durante a pré-campanha eleitoral.
A 9ª fase da Operação Compliance Zero foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e deflagrada nesta quinta-feira (18). Segundo a Polícia Federal, o senador teria recebido vantagens indevidas em troca de atuação política no Congresso Nacional. Entre os pontos investigados estão um imóvel de luxo em Salvador, ingressos para show da cantora Taylor Swift, repasses de dinheiro e viagens ao exterior.
Caiado quer criar no eleitorado percepção de que pode vencer as eleições
O foco da apuração é a relação entre Jaques Wagner e o ex-banqueiro Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno e apontado como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso. Em trecho da decisão, a autoridade policial afirma que a relação entre Wagner e Augusto Lima seria “antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal”, o que, em tese, teria criado ambiente para tratativas reservadas em defesa de interesses privados do Banco Master.
Jaques Wagner nega irregularidades. Em entrevista à BandNews, o senador afirmou que não tem relação com Vorcaro e disse que o dinheiro encontrado seria referente a diárias pagas pelo Senado em razão de viagens. Segundo ele, o presidente Lula telefonou para prestar solidariedade após a operação. Aliados do petista também têm reforçado que confiam em sua inocência até que as provas sejam analisadas e haja uma decisão final.
Impacto político
Apesar da defesa, o impacto político já começou. Para o especialista em marketing político e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Felipe Fulquim, o episódio dá munição para Flávio Bolsonaro, para o PL e para os opositores de Lula de modo geral. Segundo ele, a oposição deve tentar usar o caso para desgastar o governo e, ao mesmo tempo, tirar o foco de escândalos que atingem a própria direita.
“Esse episódio dá munição para Flávio Bolsonaro, para a direita e para os opositores de Lula. Eles podem se aproveitar de um caso que envolve um aliado histórico do presidente, líder do governo no Senado, para tentar desgastar o governo”, avalia Fulquim.
O especialista lembra que Wagner não é apenas um senador do PT. Ele é um aliado antigo de Lula, já foi ministro, governador da Bahia e hoje ocupa uma posição importante na articulação política do Planalto. Por isso, mesmo sem fazer parte diretamente do governo, sua função como líder no Senado faz com que o caso tenha reflexo nacional.
Para Fulquim, a estratégia do PT deve ser tentar separar a investigação da imagem de Lula. O partido tende a defender que o caso seja tratado como uma apuração individual, sem ligação direta com o governo federal ou com a campanha presidencial. No entanto, ele avalia que essa separação não será simples.
“Não tem como ser tratado apenas como um episódio isolado. Ele vai ficar sangrando por algum tempo por causa da exposição midiática”, afirma o especialista.
Na avaliação dele, o caso deve alimentar um embate entre ataque e defesa. De um lado, a oposição deve usar a investigação para reforçar o discurso de desgaste do PT. De outro, aliados de Wagner devem insistir que não há condenação, que o senador nega as acusações e que qualquer conclusão depende do avanço das investigações.
Além do impacto imediato sobre o governo, Fulquim avalia que o caso Banco Master abre uma discussão mais ampla sobre a influência de agentes econômicos na política brasileira. Para ele, Daniel Vorcaro aparece como um personagem com trânsito em diferentes campos políticos, o que torna o escândalo maior do que uma disputa entre governo e oposição.
“O problema central não está apenas no desgaste pontual para o governo ou para Jaques Wagner. A questão maior é entender qual foi a real dimensão da influência de Daniel Vorcaro na política brasileira nos últimos anos”, afirma.
O post Jaques Wagner desgasta PT e vira munição para oposição apareceu primeiro em O Hoje.
