A indefinição da direção estadual do PT acerca de quem será o nome do partido na disputa pelo Governo do Estado em outubro tem provocado desgaste interno e ampliado a pressão de dirigentes e militantes por uma definição da legenda. Em meio ao imbróglio, cresce também o movimento para que a presidente estadual da legenda, deputada federal Adriana Accorsi, aceite disputar o Palácio das Esmeraldas.
Na manhã desta segunda-feira (25), uma nova reunião do partido está marcada para acontecer no diretório petista, no Setor Sul. Entretanto, o encontro terá como foco a “organização interna” da legenda, e não a escolha do candidato ao governo do Estado, segundo informações da assessoria de Accorsi.
A demora na construção de uma candidatura própria já incomoda setores do partido, principalmente lideranças do interior, que cobram uma sinalização eleitoral da cúpula petista para iniciar a mobilização nos municípios. O ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Goiás (Sindjor), Cláudio Curado, afirmou ao O HOJE que a insatisfação com a indefinição “é grande” e já atinge boa parte da legenda.
“Essa insatisfação é grande dentro do partido. É geral. Eu acredito que é maioria hoje, particularmente pelo que eu ouço e pelo que tenho de contato com o pessoal do interior nessa ansiedade de ter o nome para defender o PT e os petistas irem para a rua pedir voto”, declarou. O prazo definido pela cúpula nacional da sigla para apresentação do nome escolhido terminou na última quarta-feira (20).
Prejuízo ao partido
Nos bastidores petistas, a avaliação é de que o atraso na definição prejudica o partido em um momento em que adversários da direita já se movimentam para consolidar alianças e fortalecer pré-candidaturas ao governo goiano. Atualmente, os nomes do advogado Valério Luiz, do ex-deputado federal Luis Cesar Bueno e do produtor rural de Rio Verde, Flávio Faedo, estão no páreo. Porém, a pressão para que Accorsi abandone o projeto de reeleição e embarque numa candidatura ao Governo do Estado tem aumentado.
Curado, que antes integrava a lista de pré-candidatos do partido ao governo, é um dos que defende Accorsi como o nome na disputa pelo Executivo estadual. “O único nome competitivo que a gente tem saindo de 8% a 10% nas pesquisas todas é o da Adriana Accorsi”, argumentou.
“Não temos tempo para apostar em nomes que tenham 1% ou 2%, como Luiz Cesar, Valério ou Faedo”, afirmou. “O PT tem que aproveitar a chance de ter uma candidata com 10%, a única do espectro da esquerda, contra três candidatos de centro-direita e de direita”, frisou o jornalista.
Além disso, Curado avaliou que o cenário eleitoral deste ano pode representar uma oportunidade rara para o partido em Goiás, principalmente diante da divisão do campo da direita.
“A conjuntura é muito boa para a gente, porque a gente tem os 42% do Lula de um lado e os votos do Bolsonaro do outro, só que divididos para três candidatos. Se a gente tiver os votos dos petistas, com metade dos votos das pessoas que votam no Lula mas não votaram no PT na última eleição, a gente pode chegar a 25% ou 28%”, projetou.
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Ampliar o diálogo
Apesar disso, o petista afirmou considerar “inteligente” a tentativa de ampliar o diálogo do partido com o agronegócio goiano. Segundo Curado, entretanto, isso não significa necessariamente que o PT precise lançar um candidato ligado diretamente ao setor.
A entrada de Faedo no debate interno abriu uma discussão sobre qual perfil de candidatura o PT deve apresentar em Goiás. Parte da legenda defende um nome mais ligado às bases tradicionais do partido, enquanto outro grupo vê necessidade de ampliar diálogo com setores historicamente resistentes ao petismo, como o agronegócio.
Valério afirmou ao O HOJE que aceita cumprir qualquer papel definido pelo partido, mas demonstrou discordância em relação a uma eventual estratégia de “moderação” da candidatura petista.
“Se o partido caminhar para outro nome, apoiarei e cumprirei o papel que acharem mais adequado”, disse. Na sequência, criticou a possibilidade de o PT buscar um perfil mais próximo do agro para tornar a candidatura “mais palatável” ao eleitor goiano.
“Se o PT Goiás busca o nome dele [Faedo] com a intenção de lançar uma candidatura mais ao centro, mais ‘palatável’ para Goiás pela proximidade com o agro, realmente não é meu perfil, nem é o caminho que, na minha visão, pode garantir melhor resultado e futuro para o partido”, afirmou.
Queria disputar o Senado
Já Cesar Bueno confirmou que inicialmente colocou o nome à disposição para disputar o Senado, mas acabou incluído também nas discussões sobre a candidatura ao governo após conversas internas da legenda. “Inicialmente coloquei o meu nome à disposição para disputar o Senado. Durante o processo de discussão vários dirigentes pediram para estar também disposto à disputa pelo governo. Foi o que fiz. Agora, estou aguardando posição do partido”, declarou.


