Um voo da companhia aérea Ryanair precisou realizar um pouso de emergência no aeroporto de Tessalônica, na Grécia, nesta sexta-feira (10), após uma janela da aeronave quebrar durante o trajeto. Segundo a imprensa europeia, uma peça do motor teria se desprendido e atingido a janela, provocando uma despressurização parcial da cabine e fazendo com que um passageiro fosse parcialmente sugado para fora do avião. A vítima foi socorrida após o pouso e recebeu atendimento médico. A aeronave seguia de Tessalônica para o aeroporto de Memmingen, na Alemanha. Apesar do susto, o incidente terminou sem vítimas fatais.
Casos de descompressão em voos comerciais são considerados extremamente raros, mas acidentes semelhantes já marcaram a história da aviação. O episódio mais conhecido ocorreu em 10 de junho de 1990, no voo 5390 da British Airways, quando o comandante da aeronave foi parcialmente projetado para fora da cabine após o desprendimento do para-brisa.
Piloto ficou 20 minutos do lado de fora da aeronave
Na ocasião, o comandante Timothy Lancaster, de 42 anos, pilotava um BAC 1-11 que fazia o trajeto entre Birmingham, na Inglaterra, e Málaga, na Espanha, com 87 pessoas a bordo.
Poucos minutos após a decolagem, quando a aeronave alcançava cerca de 5.300 metros de altitude, o para-brisa frontal esquerdo se desprendeu devido à falha dos parafusos que o fixavam. A descompressão explosiva lançou Lancaster para fora da cabine, deixando apenas suas pernas presas ao painel da aeronave.
O comissário Nigel Ogden conseguiu segurar o comandante pelas pernas enquanto o copiloto Alastair Aitchison assumia os controles da aeronave e declarava emergência. O avião realizou um pouso seguro no aeroporto de Southampton cerca de 22 minutos depois.
Até o pouso, a tripulação não sabia se Lancaster ainda estava vivo. Mesmo assim, os comissários continuaram segurando seu corpo para evitar que ele se desprendesse completamente e atingisse partes da aeronave, o que poderia provocar um acidente ainda mais grave.
Investigação apontou erro de manutenção
Contra todas as expectativas, Timothy Lancaster sobreviveu ao incidente. Ele sofreu fraturas no braço e no pulso, além de queimaduras provocadas pelo frio intenso. Suas roupas foram arrancadas pela força do vento.
O comissário Nigel Ogden também ficou ferido, com queimaduras e um ombro deslocado. Os demais passageiros e tripulantes não sofreram lesões.
A investigação concluiu que, durante uma manutenção anterior, o para-brisa havia sido instalado com parafusos de diâmetro menor que o especificado pelo fabricante, o que comprometeu sua resistência à diferença de pressão entre o interior e o exterior da cabine. Após se recuperar, Lancaster voltou a pilotar aeronaves comerciais e permaneceu na profissão até sua aposentadoria, em 2008.
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