O Ministério da Fazenda informou que prepara um novo programa voltado à redução do endividamento das famílias brasileiras. A iniciativa prevê o uso de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), com regras específicas. A proposta será apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira (28). O anúncio oficial deve ocorrer ainda nesta semana.
A princípio, o plano estabelece limites para o uso do FGTS. Ou seja, o saque não será integral. Além disso, os valores estarão vinculados diretamente ao pagamento das dívidas incluídas no programa. Segundo o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, o objetivo é garantir a preservação do fundo e evitar retiradas superiores ao necessário.
Uso limitado do FGTS
De acordo com o governo, a proposta atual difere de tentativas anteriores. Em um primeiro momento, a equipe econômica havia recuado da liberação do FGTS para quitação de dívidas. Isso ocorreu devido a entraves jurídicos identificados durante a formulação da medida.
Agora, no entanto, o modelo foi ajustado. Sendo assim, o saque será condicionado. O valor liberado deve respeitar um percentual previamente definido. Além disso, ele não poderá ultrapassar o montante da dívida negociada dentro do programa. Dessa forma, o governo busca equilibrar o acesso ao recurso com a segurança financeira do fundo.
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Negociação com bancos
Paralelamente, o Ministério da Fazenda mantém diálogo com instituições financeiras. O foco é estruturar condições mais favoráveis para renegociação de débitos. Entre os pontos discutidos, estão a redução de juros e a ampliação de descontos.
Nesse sentido, a proposta pode incluir abatimentos significativos. Em alguns casos, os descontos podem chegar a até 90% do valor total das dívidas. O objetivo central é reduzir o comprometimento da renda das famílias e facilitar a regularização financeira.
Nova fase do Desenrola
Além disso, o governo avalia integrar a iniciativa a uma nova etapa do programa Desenrola. A política pública já foi utilizada anteriormente para renegociação de débitos. Agora, a ideia é ampliar o alcance.
A proposta deve priorizar pessoas com renda de até cinco salários mínimos. Ou seja, o foco será em famílias mais afetadas pelo endividamento. Entre as dívidas contempladas, estão cartão de crédito, crédito direto ao consumidor (CDC) e cheque especial.
Por fim, a expectativa é que a medida contribua para reorganizar o orçamento doméstico. O governo também busca estimular a economia por meio da redução da inadimplência.
Restrições a apostas online
Outro ponto em análise envolve o controle sobre apostas digitais. O Ministério da Fazenda estuda mecanismos para restringir o acesso de pessoas endividadas a plataformas desse tipo.
A medida visa evitar o agravamento da situação financeira dessas famílias. Segundo o governo, a intenção é impedir novos ciclos de endividamento. Recentemente, já houve bloqueio de plataformas de apostas classificadas como de “predição”.
Próximos passos
Enfim, o programa está em fase final de elaboração. Após a apresentação ao presidente, a equipe econômica deve definir os últimos ajustes. Em seguida, o anúncio oficial deve detalhar regras, critérios e prazos.
A expectativa é que a iniciativa combine acesso ao FGTS, renegociação de dívidas e medidas de controle financeiro. Assim, o governo pretende atuar em diferentes frentes para enfrentar o endividamento no país.










