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Goiás avança em ranking de rodovias, mas registra 308 mortes em BRs

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24 de junho de 2026
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Goiás avança em ranking de rodovias, mas registra 308 mortes em BRs

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A abertura do Encontro Nacional de Conservação Rodoviária (Enacor 2026), realizada nesta segunda-feira (22), no Centro de Convenções de Goiânia, colocou a capital goiana no centro das discussões sobre infraestrutura, logística e tecnologia de transportes no País. Durante a solenidade, o governador Daniel Vilela afirmou que Goiás se tornou uma referência nacional na gestão de rodovias e defendeu a eficiência logística como estratégia para atrair investimentos e ampliar a competitividade econômica. 

Apesar do discurso otimista e da celebração dos 30 anos do evento, dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostram que o avanço na qualidade das estradas convive com elevados índices de acidentes e mortes nas rodovias federais que atravessam o Estado.

Segundo a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), Goiás passou da 19ª posição, em 2019, para a oitava colocação no ranking nacional de qualidade das rodovias em 2025. Os investimentos superiores a R$ 10 bilhões nos últimos sete anos permitiram que 46,8% da malha viária goiana, considerando trechos estaduais e federais, fossem classificados como bons ou ótimos.

A presidente da Goinfra, Eliane Simonini, atribuiu o resultado à continuidade dos investimentos em pavimentação e duplicação de estradas. De acordo com o governo estadual, a recuperação de mais de 4 mil quilômetros de rodovias e o índice de aprovação técnica de 70,3% da sinalização sustentam o posicionamento de Goiás como referência em infraestrutura viária.

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Acidentes e pontos críticos

Embora o Estado tenha avançado 11 posições no ranking de qualidade, os indicadores de segurança viária do Guia CNT 2026 apontam um cenário preocupante. Goiás concentra sete dos dez trechos mais perigosos da Região Centro-Oeste. Em 2025, as rodovias federais que cortam o Estado registraram 308 mortes, o equivalente a uma média de dez óbitos a cada 100 acidentes.

Ao longo do último ano, foram contabilizados 3.196 acidentes nas BRs goianas, que deixaram 3.557 pessoas feridas. O levantamento também mostra que 53,2% da extensão das rodovias federais em Goiás apresentam algum tipo de problema estrutural, com deficiências na geometria da via em 57,3% dos trechos e problemas de pavimentação em 51,4%.

A BR-153 concentra os indicadores mais críticos. Principal corredor de transporte de cargas do Estado, a rodovia registrou 973 acidentes em 2025, o equivalente a 30,4% de todas as ocorrências nas estradas federais goianas. O trecho também apresentou o maior número de mortes, com 91 registros, representando 29,5% do total de óbitos nas BRs do Estado.

Os dados apontam que o fator humano permanece entre as principais causas dos acidentes. A reação tardia ou ineficiente do condutor esteve relacionada a 518 ocorrências, enquanto a ausência de reação foi o principal motivo associado às mortes, respondendo por 19,8% dos casos fatais. Especialistas também destacam que o aumento do fluxo de veículos pesados, impulsionado pelo crescimento econômico, supera a capacidade de muitas rodovias, várias delas ainda à espera de obras de duplicação.

Modelos de gestão

A malha rodoviária goiana está dividida em três modelos de gestão. As rodovias estaduais são administradas pelo Governo de Goiás, por meio da Goinfra, concentrando os principais investimentos estaduais e os melhores índices de avaliação técnica.

As rodovias federais não concedidas, como trechos das BRs 070 e 080, estão sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), cuja manutenção depende de recursos e licitações do governo federal.

Já os trechos concedidos são administrados por concessionárias privadas, sob fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que assumem a manutenção das vias em contrapartida à cobrança de pedágio.

A divisão de responsabilidades ajuda a explicar o contraste entre os indicadores positivos apresentados pelo governo estadual e as avaliações mais críticas registradas nas rodovias federais. Recentemente, o Ministério dos Transportes autorizou obras do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas BRs 070 e 080, com investimentos superiores a R$ 150 milhões destinados à redução de gargalos históricos entre Goiás e o Distrito Federal.

Tecnologia e segurança viária

Durante o Enacor 2026, especialistas também discutem alternativas para reduzir em 50% as mortes no trânsito até 2030, conforme meta estabelecida pelo Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans). Entre as soluções debatidas estão o uso de inteligência artificial para monitoramento de pavimentos, sistemas de rodovias inteligentes para fiscalização e gestão de tráfego em tempo real e o conceito de “rodovias que perdoam”, baseado em projetos de engenharia capazes de reduzir os impactos de falhas humanas.

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