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Fim da Área Azul pode redesenhar mobilidade em Goiânia

Administrador Por Administrador
12 de julho de 2026
Em Cidades
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Fim da Área Azul pode redesenhar mobilidade em Goiânia

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A possível extinção da Área Azul em Goiânia reacende uma discussão maior do que a cobrança pelo estacionamento em vias públicas. O debate envolve o uso do espaço urbano, a circulação de veículos, o acesso ao comércio e o futuro da mobilidade em regiões movimentadas da capital, como Centro, Campinas e Região da 44.

 

O Projeto de Lei nº 113/2026, de autoria do vereador Luan Alves (MDB), propõe proibir a cobrança pelo uso de vagas de estacionamento em vias e logradouros públicos de Goiânia. Na prática, o texto revoga a Lei nº 8.220/2003, que instituiu o estacionamento rotativo pago na capital. A justificativa do projeto é que a concentração de vagas sujeitas ao sistema de cobrança cria obstáculos ao acesso da população à região central, afastando consumidores e prejudicando a revitalização econômica.

 

Atualmente, Goiânia conta com 3.841 vagas de Área Azul, distribuídas por Campinas, Centro e Região da 44. O valor é de R$ 1,50 para uma hora e R$ 2,50 para duas horas. A proposta, no entanto, não impede o Executivo de organizar o uso das vagas públicas. O município ainda poderia definir tempo máximo de permanência, horários de utilização e espaços reservados para idosos, pessoas com deficiência e carga e descarga, desde que não haja cobrança.

 

O ponto é entender o que acontece com essas áreas caso a tarifa deixe de existir. Para o especialista em mobilidade urbana Marcos Rothen, o risco é que a ausência de cobrança reduza a rotatividade e torne o estacionamento ainda mais difícil. “Onde não existe a cobrança e o limite de tempo máximo, grande parte dos motoristas coloca o carro na vaga de manhã e só o retira à tarde”, afirmou ao O HOJE. 

 

Na avaliação dele, sem controle, comerciantes e funcionários podem ocupar as vagas durante todo o dia, dificultando justamente o acesso dos clientes.

 

A Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) também defende que o estacionamento rotativo é uma ferramenta de gestão da mobilidade. Segundo a pasta, em áreas com grande demanda, o sistema ajuda a aumentar a rotatividade, reduzir a permanência prolongada de veículos, facilitar o acesso ao comércio e diminuir a circulação de motoristas em busca de vagas.

 

O debate mostra que o futuro dessas regiões depende menos da gratuidade e mais da forma como o espaço público será administrado. Caso a Área Azul acabe, as vagas podem continuar existindo, mas precisarão de regras claras para não se transformarem em estacionamento permanente. Também podem ser reorganizadas dentro de uma política mais ampla, considerando calçadas, carga e descarga, transporte coletivo, ciclovias, acessibilidade e circulação de pedestres.

 

Essa discussão se conecta a transformações maiores da cidade. Goiânia passa por adensamento e verticalização em bairros já consolidados, como Setor Sul, Setor Oeste e Setor Bueno. Para o geógrafo urbano Glauco Gonçalves, o problema não é o adensamento em si, mas a falta de integração com saneamento, arborização e transporte público. Sem planejamento, o aumento de prédios e de moradores pressiona ainda mais ruas estreitas e reforça a dependência dos automóveis.

 

O professor Antonio Clóvis Pinto, da USP São Carlos, também aponta que a mobilidade urbana mudou. Durante o 39º Congresso de Pesquisa e Ensino em Transportes (Anpet), o professor disse que o transporte coletivo perdeu espaço para alternativas individuais, como carros, motos e aplicativos, em uma cidade cada vez mais descentralizada. Na visão dele, o futuro exigirá equilíbrio entre transporte coletivo subsidiado, veículos mais limpos, bicicletas, patinetes e novas formas de deslocamento.

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