Bruno Goulart
A esquerda goiana começou, ainda que com certo atraso, a organizar o tabuleiro para a disputa ao Governo de Goiás em 2026. O anúncio feito pela presidente estadual do PT e deputada federal Delegada Adriana Accorsi, na noite desta quinta-feira (30/12), de que a chapa progressista conta com seis pré-candidatos ao Executivo estadual, é interpretado por analistas como um movimento estratégico para consolidar palanque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Estado e dar musculatura política às forças de centro-esquerda.
Na avaliação do estrategista político Marcos Marinho, ao O HOJE, a iniciativa de Adriana Accorsi segue uma lógica clara de afirmação partidária e de organização do campo progressista. “A Adriana, enquanto líder do PT, está fazendo o que é esperado: firmar posição. As esquerdas precisam se organizar para lançar o palanque do Lula em Goiás. E isso passa, necessariamente, por uma candidatura majoritária”, analisa.
Nesse sentido, Marinho destaca que o objetivo, neste momento, não é necessariamente vencer a eleição estadual, mas estruturar o campo político da esquerda para 2026 e nos próximos anos. “Esse nome não entra em campo, obrigatoriamente, com a perspectiva de vitória. Pode ser alguém que ganhe projeção para projetos futuros, dentro dessa seara mais à esquerda”, pontua.
Entre visibilidade e capacidade de diálogo
Entre os seis nomes anunciados — o vereador por Goiânia Edward Madureira (PT), o advogado Valério Luiz Filho (PT), o presidente do Cidadania em Goiás, Iure Castro, o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Goiás (Iphan-GO), Gilvane Felipe, o professor Jerônimo Rodrigues da Silva (PSB) e o ex-governador José Éliton (PSB). Marinho aponta diferenças claras de densidade eleitoral, capacidade de articulação e inserção política.
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Segundo o estrategista político, o nome que hoje demonstra maior capacidade de diálogo e tração eleitoral é o do vereador e professor Edward Madureira. “Ele já foi candidato a deputado federal, teve uma grande votação e quase entrou no Congresso. É um nome com visibilidade mais alargada, ligado à Universidade Federal de Goiás, que ainda lhe garante um suporte importante”, avalia.
Sobre os demais pré-candidatos, Marinho faz uma análise mais cautelosa. O advogado Valério Luiz, por exemplo, é visto como um quadro combativo, com boa presença na imprensa e potencial de mobilização entre os jovens. “Ele tem uma história aguerrida, uma postura contundente, mas ainda é um nome com pouca estrutura e pouca reverberação eleitoral”, observa.
Já Iure Castro, presidente do Cidadania em Goiás, aparece como um nome ainda não testado nas urnas. “Vem da área jurídica, nunca passou por uma eleição majoritária. Conectar o perfil dele ao da militância do PT e das esquerdas exigiria um trabalho maior”, diz Marinho, que não descarta, porém, seu aproveitamento em outras frentes da chapa.
No caso de Gilvane Felipe, superintendente do Iphan-GO, o estrategista vê dificuldades de agregação política. “Ele teve recentemente um entrevero com o próprio Cidadania e, desde então, não teve grande reverberação nem participação em grandes movimentos”, avalia.
Palanque estadual
Para Marcos Marinho, a dinâmica atual aponta para um esforço de manutenção do palanque progressista em Goiás para a campanha presidencial. “É fazer barulho em prol da campanha do Lula”, analisa.
Nesse contexto, o estrategista destaca também a importância da disputa ao Senado. Com duas vagas em jogo em 2026, a esquerda pode tentar construir uma candidatura competitiva. “Se o Edward for para o governo, com apoio do Lula e do PT, o próprio Iure Castro, que já se lançou pré-candidato ao Senado, pode ser trabalhado como principal nome das esquerdas para uma das vagas”, projeta.
Apesar de considerar a movimentação um pouco tardia, Marinho avalia que o processo está em curso e tende a se intensificar. “Tudo vai depender da estrutura, da capacidade de tração e de atração de votos. Fundamentalmente, precisa ser um nome que consiga mobilizar a militância do PT, que é o maior partido desse campo”, conclui. (Especial para O HOJE)









