A ampla admiração de prefeitos pelo vice-governador e pré-candidato ao Governo de Goiás Daniel Vilela (MDB) não é algo que poupa o emedebista de enfrentar fortes desafios, principalmente em relação ao discurso pré-eleitoral frequentemente proferido que mostra o intuito de Daniel de dar continuidade ao modelo de governo adotado pelo governador e pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD).
Apesar das gestões do atual chefe do Executivo goiano terem altos índices de aprovação por parte da população, analistas políticos avaliam que não é algo positivo para Daniel se apoiar no objetivo de promover uma eventual gestão à frente do Executivo estadual com base nas mesmas políticas de Caiado.
Governador Ronaldo Caiado (PSD) e vice-governador Daniel Vilela (MDB) – Créditos: Leandro Braz e Benedito Braga
A compreensão é de que o eleitorado tem preferência por projetos governamentais que apresentem novidades, algo que será explorado nos discursos dos adversários do vice-governador, como o senador bolsonarista Wilder Morais (PL) e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB).
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Por outro lado, Daniel avança quando foca investimentos em áreas vinculadas ao esporte e novas tecnologias que, de acordo com estudiosos em política, pode garantir a formação de identidade política própria ao emedebista, que desvincularia sua imagem de Caiado.
Com o acirramento de sua pré-candidatura com a de Wilder, Daniel tem marcado presença em municípios administrados por prefeitos filiados ao Partido Liberal. As agendas em redutor de gestores bolsonaristas são vistas por analistas como uma tentativa de aproximação e ganho de apoio do vice-governador.
O Vice-governador Daniel Vilela (MDB) e o senador Wilder Morais (PL) – Créditos: Jota Eurípedes e Guilherme Honorato
Investimento em segurança
Ao declarar que o município de Posse não está mais uma região esquecida do Estado, o vice-governador marcou sua passagem, na última terça-feira (24), pela cidade governada por Paulo Trabalho (PL) para participar da inauguração de investimentos feitos na área de segurança pública.
“Goiás vive esse momento extraordinário de segurança pública. Essa é uma região onde alguns crimes eram recorrentes. Mas essa realidade ficou para trás. Temos compromisso com a região e com o povo. Sabemos e conhecemos em detalhes a região, que vai continuar crescendo e gerando desenvolvimento”, afirmou o pré-candidato ao Executivo estadual.
Na última sexta-feira (27), Daniel, Caiado e a primeira-dama Gracinha Caiado (UB) estiveram em mais uma edição do programa de assistência do Governo, o Goiás Social, na cidade de Jataí, berço dos Vilela, mas que hoje é gerida pelo bolsonarista Geneilton Assis (PL).
Caiado, acompanhado da coordenadora do Goiás Social, primeira-dama Gracinha Caiado, e do vice-governador Daniel Vilela, abre a edição do Goiás Social em Jataí – Créditos: Adalberto Ruchelle, Walter Folador e Carol Costa
O Goiás Social é o principal programa do Estado na área de assistência e tem sido trabalhado por Daniel, Caiado e Gracinha como a vitrine administrativa e eleitoral da base governista. Nas edições do Goiás Social em diferentes cidades goianas, movimentações políticas de interesse das lideranças locais e do vice-governador ocorrem para direcionar apoio à pré-candidatura do emedebista ao Palácio das Esmeraldas.
“Hoje temos o maior programa social que existe, a maior rede de proteção social implantada no País. Tanto é que Goiás tem o menor percentual de pobreza ou de extrema pobreza entre todos os Estados da federação. Esse é o cuidado que temos com a nossa população”, afirmou o governador durante a abertura das atividades em Jataí. O jornal O HOJE entrou em contato com o prefeito de Jataí para obter retorno sobre a ida de Caiado, Gracinha e Daniel ao município, mas, até o fechamento desta edição, o gestor da cidade não se manifestou.
Passagens por todo o Estado
O mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé fala da importância de se fazer presente em todas as regiões do Estado, independente do retorno eleitoral. “Não existe isso de escolher qual liderança é mais ou menos importante, pois em uma eleição todo mundo é eleitor, independente de sua localidade.”
Créditos: Adalberto Ruchelle, Walter Folador e Carol Costa
Zancopé explica que a ausência de pré-candidatos em determinadas regiões pode gerar oportunidade para adversários ganharem apoio. “É necessário ter uma trajetória por todo o Estado, porque muitas vezes aquela cidade onde Daniel não vai, outro adversário dele pode ir. Daí pode haver uma liderança política local que observa quem está ou não presente naquela região e direcionar apoio ao pré-candidato que faz mais passagens pelo local”, pontua. (Especial para O HOJE)








