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Daniel ir ao debate pode ser risco; faltar também

Administrador Por Administrador
9 de agosto de 2026
Em Política
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Daniel ir ao debate pode ser risco; faltar também

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Bruno Goulart

A presença ou a ausência de Daniel Vilela (MDB) nos debates do primeiro turno deve mudar completamente a dinâmica da campanha ao Governo de Goiás. Líder nas pesquisas, o candidato tende a se transformar no principal alvo dos adversários caso compareça aos encontros. Se optar por ficar de fora, por outro lado, reduz o risco do confronto direto, mas deixa Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luís César Bueno (PT) livres para atacar sua gestão sem oportunidade de resposta. A avaliação de especialistas ouvidos pelo O HOJE é que não existe uma fórmula pronta: cada cenário oferece ganhos e riscos.

Para o mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé, a importância dos debates mudou com o avanço das redes sociais. Segundo o especialista, durante os anos 1990 e 2000, quando televisão e rádio concentravam a comunicação política, faltar a um debate poderia representar um custo elevado. Hoje, candidatos conseguem alcançar o eleitor diretamente por Instagram, TikTok, X e outras plataformas. “Participar ou não de um debate tem muito mais relação com posicionamento de campanha”, afirma. Na avaliação de Zancopé, Daniel tem menos a ganhar no primeiro confronto justamente porque seria obrigado a defender, o tempo inteiro, decisões tomadas durante o governo Ronaldo Caiado (PSD).

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Com Daniel presente, o cientista político Lehninger Mota avalia que a tendência é de concentração dos ataques sobre o candidato do MDB. “O que os outros candidatos querem é confrontar quem está na frente das pesquisas”, explica. Marconi e Wilder, principalmente, teriam a oportunidade de questionar diretamente o vice-governador sobre gastos, decisões administrativas e problemas da atual gestão. O risco para Daniel seria transformar o debate em uma espécie de “três contra um”, cenário também apontado pelo especialista em marketing político Felipe Fulquim.

Ao mesmo tempo, a presença poderia oferecer a Daniel uma oportunidade para reforçar segurança e preparo diante dos ataques. Fulquim avalia que o candidato poderia utilizar o confronto para responder às críticas e vincular sua experiência à gestão de Caiado. Marconi, por exemplo, tende a explorar uma possível falta de experiência de Daniel no comando direto do Estado, enquanto o emedebista poderia responder destacando sua participação nas decisões do atual governo.

Sem Daniel, porém, a configuração muda. Marconi ganharia mais espaço para apresentar seu legado de quatro mandatos e reforçar propostas em áreas como segurança, saúde e educação. Wilder poderia usar o debate para fortalecer a conexão com o eleitorado de direita e bolsonarista, além de tentar ampliar sua presença como candidato a governador. Já Luís César Bueno teria mais tempo para apresentar o palanque de Lula em Goiás e defender políticas associadas aos governos petistas.

A ausência, contudo, não significa necessariamente vantagem automática para Daniel. Lehninger alerta que os adversários poderiam utilizar o tempo disponível para fazer críticas sem que o candidato esteja presente para responder. “Pode ter um momento em que os outros candidatos falem sozinhos, tenham toda a liberdade para fazer críticas e acusações, e ele não esteja lá para responder”, afirma. Nesse cenário, o impacto dependeria da repercussão das falas e, principalmente, da forma como os adversários conseguiriam apresentar a ausência ao eleitor.

Estratégia de campanha
A interpretação do público passa, portanto, a ser central. Para Lehninger, não existe uma teoria segundo a qual quem lidera as pesquisas sempre ganha ao evitar debates. A ausência pode ser recebida como uma escolha estratégica ou, em sentido oposto, como “salto alto” de quem acredita que a eleição já está definida. Por isso, o cientista político considera que a decisão precisa ser “bem mensurada”.

Fulquim também aponta que evitar alguns confrontos pode funcionar como estratégia para Daniel observar argumentos dos adversários e reduzir desgaste, desde que essa opção não seja repetida indiscriminadamente. “Em algumas ocasiões ao longo da campanha ele poderá se valer dessa estratégia de evitar o confronto, para não se desgastar. Mas deve usar os recursos de forma muito planejada”, afirma.

Para Zancopé, neste início de campanha, a ausência no primeiro debate pode ser compreendida dentro dessa lógica. O especialista considera que Daniel já possui uma imagem associada à continuidade do governo Caiado e que um confronto agora poderia oferecer mais oportunidades aos adversários do que benefícios ao líder. “Diante das intenções de voto, acho que prudência e caldo de galinha não fazem mal para ninguém”, resume.

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