Bruno Goulart
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado entra na fase final de funcionamento ainda com tentativas de avançar nas investigações sobre a fraude financeira que envolve o Banco Master. O colegiado tem prazo até 14 de abril, mas o relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), articula a prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias.
Para isso, Vieira deve buscar apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Enquanto isso, a comissão corre contra o tempo para concluir etapas importantes da investigação. No entanto, os trabalhos têm sido impactados por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Determinações recentes têm dispensado depoentes e suspendido quebras de sigilo, o que dificulta o avanço das apurações.
Diante disso, os senadores passaram a adotar estratégias para evitar novos bloqueios. Na última reunião, por exemplo, a CPI aprovou novamente a convocação do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que havia sido liberado de depor por decisão do Supremo. A intenção é esclarecer a atuação do órgão na fiscalização do Banco Master.
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Além disso, a comissão repetiu a aprovação de quebras de sigilo de empresas ligadas a Daniel Vorcaro, ex-dono do banco, e a Fabiano Zettel, seu cunhado e pastor da Igreja Batista da Lagoinha, a Lagoinha Church. Dessa vez, as votações foram feitas de forma individual, de acordo com orientação do STF para evitar questionamentos.
Habeas corpus
O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), conseguiu habeas corpus no STF e foi desobrigado a comparecer. O ex-chefe do Palácio do Buriti seria ouvido sobre decisões do BRB em operações com o Banco Master. Outros investigados, como o próprio Vorcaro e Campos Neto, também já obtiveram decisões semelhantes.
Desde sua instalação, em novembro, a CPI enfrenta obstáculos no Supremo. Um exemplo foi a suspensão da quebra de sigilo de uma empresa ligada ao ministro Dias Toffoli. A decisão foi mantida pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
Na próxima semana, a comissão pretende ouvir Campos Neto e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que já sinalizou disposição para comparecer. (Especial para O HOJE)










