Cláudio Castro (PL) deixou o governo do Rio de Janeiro nesta segunda-feira (23), um dia antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral que poderia levar à cassação de seu mandato e à sua inelegibilidade por até oito anos. A carta de renúncia foi entregue à Assembleia Legislativa do Rio e a cerimônia de encerramento do mandato foi realizada no Palácio Guanabara.
Ao se despedir, Castro afirmou sair em busca de novos projetos e confirmou planos políticos. “Como todos sabem, saio para ser pré-candidato ao Senado”, disse. O ex-governador também fez um balanço de sua gestão. “Eu saio com a cabeça completamente erguida. Saio com a minha maior aprovação, saio, segundo as pesquisas de opinião, liderando todas as pesquisas para o Senado. Mas, acima de tudo, saio extremamente grato a Deus”, afirmou.
Por que renunciar antes do julgamento
O TSE já tem dois votos a zero pela condenação de Castro por abuso de poder econômico e político no escândalo do Ceperj, com cinco ministros ainda faltando votar. A saída antecipada é vista por aliados como um termômetro do pessimismo em relação à absolvição. Se o mandato fosse cassado após o julgamento, o estado seria obrigado a convocar uma eleição direta, o que tiraria dos aliados a influência sobre a escolha do substituto. Com a renúncia antes da decisão, a escolha do novo governador fica nas mãos dos 70 deputados da Alerj.
A defesa de Castro também pode usar a renúncia como argumento no TSE, alegando que, sem mandato, o julgamento perderia o objeto. Especialistas, porém, alertam que o Ministério Público Eleitoral também pede a inelegibilidade, o que pode tornar a manobra ineficaz na prática.
Quem governa o Rio agora
Com a saída de Castro e a ausência de vice-governador, já que Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, o Rio entrou em situação de dupla vacância. O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto de Castro, assume interinamente o governo e terá até 48 horas para convocar a eleição indireta.
Como será escolhido o novo governador
A eleição indireta será realizada na Alerj em até 30 dias e definirá uma chapa com governador e vice para cumprir o mandato até o fim de 2026. Podem concorrer brasileiros maiores de 30 anos, com domicílio no estado e filiação partidária. Por decisão liminar do ministro Luiz Fux, do STF, a votação será secreta, derrubando a previsão de voto nominal aberto que constava na legislação estadual.
O futuro político de Castro
Apesar da renúncia, Cláudio Castro ainda pode disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. A legislação permite que candidatos concorram mesmo com processos em andamento na Justiça Eleitoral. No entanto, uma eventual condenação pelo TSE antes do registro da candidatura pode torná-lo inelegível por até oito anos.
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