A aproximação do MDB com o PSD não é algo restrito ao Estado governado por Ronaldo Caiado (PSD) e Daniel Vilela (MDB). Cabe ressaltar que o partido do vice-governador, do ponto de vista nacional, se encontra dividido entre uma ala que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outro grupo que avalia como ideal a formação de alianças e demonstração de apoio a um nome de centro-direita. O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), é um dos principais aliados do mandatário da República na Região Norte e ainda exerce influência considerável no Nordeste.
O petista não deixa de transparecer seu interesse em atrair emedebistas e, assim, tornar possível a formação de uma grande coligação. Porém, essa ideia é tida como improvável pois, de acordo com a conjuntura atual do MDB nacionalmente, 17 diretórios se encontram afastados do presidente contra dez que são mais próximos ao Palácio do Planalto, como nos Estados de ministros como Jader Filho, do Pará, e Renan Filho, natural de Alagoas.
Presidente Lula juntamente com o governador do Pará, o emedebista Helder Barbalho – Créditos: Ricardo Stuckert/PR
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Para tornar ainda mais difícil a tentativa de aproximação do PT com o MDB, os dois partidos estão afastados em Estados como a Bahia, o Ceará, o Piauí e o Rio Grande do Norte, uma vez que são regiões onde as alianças feitas em 2022 estão em discussão ou foram desfeitas.
Relação entre MDB e PSD é malvista pelo PT
Além disso, emedebistas e membros do PSD têm mantido relações positivas em locais onde a popularidade de Lula não está em alta, como é o caso de Estados como o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Goiás. Essas são consideradas regiões que possuem um eleitorado que tende a simpatizar mais com valores conservadores, portanto, com partidos de direita. Mesmo que não seja em sua totalidade.
Nesse sentido, a sigla comandada por Gilberto Kassab, é vista como uma alternativa cada vez mais possível de uma terceira via para concorrer com Lula, que representa um projeto de gestão alinhado com o progressismo, e com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que, apesar de tentar se vender como uma versão mais moderada do pai e ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não deixa de levar consigo valores que agradam os bolsonaristas e outras alas da extrema direita.
Governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab – Créditos: Wesley Costa Secom Goiás
Em meio a toda essa situação, não é descartada a possibilidade de o MDB optar por não apoiar um candidato a presidente e liberar os diretórios estaduais para apoiar quem quiserem.
Outra alternativa pode ser definida com base em discussões em torno do lançamento de candidatura, própria onde o nome mais cotado para essa função é o do ex-presidente Michel Temer. Mas visto por analistas como inviável eleitoralmente.
A aproximação do PSD com o MDB se deu com mais ênfase após o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, sair do União Brasil e passar a integrar o PSD. Essa movimentação ajuda a reforçar o posicionamento do centro e aumenta a chance de composição de chapa com o PSD.
Possibilidade de chapa
Analistas políticos avaliam que, caso o nome do chefe do Executivo goiano seja a escolha de Kassab para a disputa presidencial, a previsão é que Simone Marquetto, ex-prefeita de Itapetininga (SP) e deputada federal pelo MDB de São Paulo, seja uma alternativa para a vaga de vice.
Deputada federal Sim0ne Marquetto (MDB-SP) – Créditos: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Assim, haveria a formação de uma chapa composta por meio de aliança entre o PSD e o MDB. Marquetto é apontada como uma das opções favoritas para a composição de uma coligação que tem sido tratada como a possível chapa de centro-direita para disputar o Palácio do Planalto em 2026 contra Lula e contra o bolsonarismo.
Tal união partidária em caráter nacional é lida como algo que pode reforçar a aliança das legendas em Goiás, pois o vice-governador de Caiado, o emedebista Daniel Vilela, será candidato à reeleição com o apoio do atual chefe do Executivo, que deixará o cargo até 4 de abril para também disputar as eleições, seja a presidente ou a senador.
Ronaldo Caiado (PSD) e Daniel Vilela (MDB) – Créditos: Divulgação Secom-GO
O cientista político Lehninger Mota analisa as pretensões do partido de Kassab com a chegada de Caiado para compor a organização e, além da construção de alianças, a legenda também pode registrar a chegada de novos membros. “Há por parte do PSD uma grande euforia de pensar que, com a chegada de Caiado, o partido vai ganhar muito corpo e, naturalmente, várias lideranças, puxadores de voto, mandatários e candidatos à reeleição que já estão no mandato vão migrar para o PSD”, pontua Mota. (Especial para O HOJE)










