A corrida eleitoral pelo comando do Palácio das Esmeraldas exige dedicação diária para ganhar maior proximidade e apoio de vários setores, especialmente os vinculados ao agronegócio. Não é novidade que lideranças políticas goianas como o governador de Goiás e pré-candidato à reeleição, Daniel Vilela (MDB), e o ex-chefe do Executivo goiano que concorre ao Planalto, Ronaldo Caiado (PSD), são figuras carimbadas quando o assunto é sobre importantes nomes ligados ao agro.
Entretanto, a tentativa em garantir maior infiltração e popularidade no setor aumenta quando adversários políticos também buscam por influência na área. É o caso do ex-governador de Goiás e adversário de Daniel na competição pelo comando da chefia do Executivo estadual, Marconi Perillo (PSDB).
Ex-governador de Goiás e pré-candidato ao governo de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), em visita à feira Tecnoshow 2017, em Rio Verde, quando era chefe do Executivo goiano – Créditos: José Barbacena
Informações de bastidores revelam que aliados do tucano sinalizam a intenção de Perillo de escolher um nome do agronegócio para ocupar a vaga de vice em sua chapa para concorrer ao governo do Estado. No entanto, o que se sabe é que ainda não há definição de quem realmente será o braço direito do tucano na disputa pelo Executivo estadual, mas especulações levam a crer que uma alternativa viável pode sair de Rio Verde, berço do agronegócio goiano.
Produzir com tranquilidade
Uma das maiores feiras de agronegócio do Brasil, que ocorreu em Rio Verde de 7 a 11 de abril, a Tecnoshow Comigo reuniu expositores de todo o país e atraiu visitantes de diversas partes do mundo. Ao participar do evento, Perillo disse que o País necessita de criar condições para que o produtor do campo pudesse produzir com tranquilidade através da ajuda dos governos estaduais, municipais e federal.
“Hoje é tudo muito tecnológico. O Estado precisa viabilizar essas condições. O agro é a galinha dos ovos de ouro do País. É quem garante o sucesso das exportações, do PIB, do emprego e das receitas”, afirmou Marconi.
Especialistas avaliam que setores ligados ao agro compactuam com valores relativos ao bolsonarismo, o que é visto como um desafio a ser enfrentado por outras forças políticas que não se enquadram no projeto da extrema direita.
Vínculos estratégicos
Nesse sentido, a busca por vínculos fortes com membros influentes na área do agro por lideranças políticas de centro-direita é vista como uma estratégia adotada com o intuito de obter apoio de um eleitorado importante.
Na última sexta-feira (17), Ronaldo Caiado (PSD) e o presidente licenciado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner (PSD), chegaram juntos, na companhia da pré-candidata ao Senado Gracinha Caiado (UB), ao Farm Day 2026, evento que acontece em Cariri do Tocantins, na região de Gurupi (TO).
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Ex-deputado federal, José Mário foi vice-líder do governo do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) e tem facilidade em dialogar com setores bolsonaristas, público que tem forte presença na área da agropecuária.
A disputa nacional por votos no segmento inclui a tentativa do pré-candidato ao Planalto, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de atrair para a vice a ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP), que é senadora pelo Mato Grosso do Sul.
Especulações
José Mário é apontado como um dos principais nomes para a vaga de vice de Daniel para o comando do Estado. O pessedista representa uma ala do governo estadual que colabora para o ganho de força do setor produtivo.
Governador de Goiás e José Mário, presidente da Faeg, durante Tecnoshow, em Rio Verde que ocorreu este ano – Créditos: Júnior Guimarães e Rômulo Carvalho
Um fator apontado por interlocutores como altamente considerável é o grau de relevância política que o eleitorado ligado ao agronegócio exerce em candidaturas, sobretudo no Estado de Goiás.
Desse modo, José Mário pode aproveitar sua forte ligação com o agro goiano como forma de defender a permanência de seu nome como vice de uma das candidaturas mais fortes ao Governo do Estado e eliminar a resistência da direita bolsonarista à pré-candidatura do emedebista ao transferir votos que hoje são mais favoráveis ao pré-candidato do PL, o senador Wilder Morais. (Especial para O HOJE)









