Além do eleitorado feminino, o grupo composto por eleitores jovens também tem se destacado como decisivo nas eleições presidenciais de outubro. Uma pesquisa recente elaborada pela Quaest propõe nova divisão geracional para o País e revela que os mais jovens não aderem ao fenômeno da polarização e, ainda, apresentam sensação de insatisfação com o Estado, com vista a soluções positivas para o futuro.
O levantamento mostra que os brasileiros misturam, cada vez mais, valores conservadores e progressistas. Diante desse cenário, pré-candidatos à presidência que se apresentam contra o governo do presidente Lula da Silva (PT) e se posicionam alheios à polarização política no País podem ganhar maior atenção, como é o caso do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que concorre às eleições para o Planalto.
Caiado faz comparações das políticas públicas adotadas em seu governo com ações feitas nas gestões do petista – Créditos: André Saddi/Secom e Ricardo Stuckert/PR
O ex-chefe do Executivo goiano ressaltou no lançamento de sua pré-candidatura que a sociedade brasileira “não suporta mais” viver no ambiente polarizado e, para o pré-candidato ao Planalto, esse entrave pode ser superado caso o goiano saia vitorioso das urnas.
Na ocasião, Caiado criticou o Partido dos Trabalhadores, mas também ressaltou o que nomeou como “falta de experiência” do senador Flávio Bolsonaro (RJ), escolhido como o presidenciável do Partido Liberal.
O que dizem os dados
O levantamento da Quaest, conduzido pelo cientista político e CEO da empresa, Felipe Nunes, mostra que os brasileiros combinam, de forma crescente, visões progressistas e conservadoras a depender do tema em foco.
Na pesquisa em questão, os brasileiros são organizados em quatro gerações: Bossa Nova, nascidos entre 1945 e 1964; Ordem e Progresso, de 1965 e 1984; Redemocratização, 1985 a 1999; e Geração.com, que são os nascidos entre os anos 2000 e 2009.
Quando o assunto é como cada geração se posiciona e vota para presidente, o levantamento revela que os brasileiros estão distantes da polarização, pois os grupos independentes despontam em todas elas, à exceção da geração Bossa Nova, em que os que se definem como lulistas aparecem numericamente à frente por diferença de um ponto percentual, dentro da margem de erro.
O estudo da Quaest sobre as gerações buscou combinar duas pesquisas, uma realizada entre 6 e 9 de março deste ano e outra entre 2 e 5 de outubro de 2025. Em cada rodada, foram feitas 2.004 entrevistas com brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento deste ano está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número de identificação BR-09285/2026.
De acordo com especialistas, há estudos que mostram que existe uma complexidade de demandas vindas da população brasileira que não são correspondidas pelo viés ideológico. “Os problemas reais da sociedade não são respondidos por meio de questões ideológicas. Desafios na área da saúde, por exemplo, não se resolvem apenas com base no posicionamento político do presidente”, avalia o cientista político Lehninger Mota.
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Eleitorado divergente
Nesse sentido, há o entendimento de que há uma ala de eleitores que avaliam os melhores discursos e projetos de governo e, por isso, direcionam o voto de acordo com esses fatores. O problema é que no Brasil o perfil predominante de eleitor é outro, segundo a análise de Lehninger.
“O que tem definido as últimas eleições brasileiras é a rejeição ao outro, ou seja, se um eleitor não gosta do Lula, o voto será destinado a Flávio e vice-versa. Assim, as pessoas ativam o voto pragmático, que é o ato de votar em um candidato para que o outro não ganhe. É o chamado voto útil. É isso que ocorre no Brasil e pode prejudicar Caiado, que tem a expectativa de crescer”, pontua.
Senador Flávio Bolsonaro (PL) e presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ambos pré-candidatos ao Planalto – Créditos: Andressa Anholete/Agência Senado e Fabio Rodrigues-Pozzebom/ABr
Mota destaca o porquê que a ideia do ex-governador de Goiás, de “sair da bolha” da polarização, não é uma boa ideia. “É cedo para dizer que Caiado conseguirá êxito, mas o cenário atual não é favorável”, analisa o cientista político em entrevista ao O HOJE. (Especial para O HOJE)










