Bruno Goulart
Em meio a uma agenda intensa em Brasília nesta quarta-feira (21), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), deu novos sinais de que trabalha ativamente para viabilizar sua candidatura à Presidência da República em 2026. No mesmo dia em que oficializou a transferência da presidência do Consórcio Brasil Central (BrC) para o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), Caiado admitiu, em entrevista ao portal Poder360, que conversa com outros partidos diante das incertezas internas no União Brasil. Criado em 2015, o Consórcio Brasil Central reúne sete entes federativos — Goiás, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Rondônia e Tocantins — com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento econômico e social da região.
Plano B de Caiado vai além do União Brasil
Ao mesmo tempo, o governador aproveitou a passagem pela capital federal para intensificar sua agenda política nacional. Em entrevista concedida às jornalistas Juliana Alves e Lívia Martins, do Poder360, Caiado confirmou que procede a possibilidade de deixar o União Brasil caso o partido não lhe dê espaço para disputar o Planalto.
“O partido tem posições que vou respeitar. Se não for para me dar oportunidade de ser o candidato pelo partido, tenho conversado com esses partidos [Podemos e Solidariedade]. Vou ampliar o nível do diálogo até o mês de abril. A etapa mais importante até lá é a definição partidária”, afirmou. Segundo Caiado, a decisão passa diretamente pela estratégia nacional do seu partido. “Se o partido tende amanhã não ter candidato à Presidência da República, não vai me atender, porque tenho a disposição de ser pré-candidato à Presidência da República”, completou, ao dizer já ter comunicado essa posição ao presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e ao vice-presidente da sigla, ACM Neto.
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Aliás, ACM Neto foi um dos poucos dirigentes nacionais do União Brasil a comparecer ao lançamento da pré-candidatura de Caiado, em abril do ano passado, em Salvador, gesto interpretado como sinal de apoio político, ainda que o partido siga dividido internamente.
Essa divisão fica ainda mais evidente no âmbito da federação União Brasil–PP. O presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), já declarou publicamente que enxerga apenas dois governadores com capacidade de unificar o campo da centro-direita e derrotar o presidente Lula da Silva (PT) em 2026: Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, e Ratinho Júnior (PSD), do Paraná. Questionado sobre essa avaliação, Caiado reagiu de forma direta.
“Não valorizo essa opinião. Se fosse uma opinião bem avaliada, de alguém que pudesse ter uma opinião consistente em política, a condição política dele seria bem melhor. Quem opina em política é quem realmente tem voto e aprovação popular. Tenho 88% de aprovação como governador do Estado”, disparou.
Nova pesquisa
A pesquisa Atlas Intel divulgada nesta quarta-feira (21) coloca Caiado em terceiro lugar em três cenários testados, com até 11,3% das intenções de voto, à frente dos governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ratinho Júnior. Em um cenário com apenas o goiano e o presidente Lula (PT), Caiado aparece em segundo lugar, com 15,2%, contra 48,8% do petista.
Ainda assim, o governador relativiza os levantamentos neste momento. “Estamos num momento em que as pessoas ainda não se interessaram pela discussão política. Quando chegar a hora, a sociedade vai analisar. Não é com discurso que se ganha eleição, mas com exemplo daquilo que o candidato vai apresentar para a população”, avaliou. Em tom descontraído, concluiu: “Minha campanha será igual música sertaneja: no início ninguém gostava, hoje tomou conta do Brasil”. (Especial para O HOJE)







