O Brasil conquistou uma medalha inédita na disputa feminina do Mundial de Marcha Atlética por Equipes, realizado em Brasília. A soma das posições de Viviane Lyra (5ª), Gabriela Muniz (8ª) e Mayara Vicentainer (9ª) garantiu ao país o terceiro lugar geral e a medalha de bronze por equipes.
Na marcha atlética por equipes, cada atleta compete individualmente, mas a classificação final considera a soma das colocações. Vence o país que acumular menos pontos. O Brasil fechou a prova com 22 pontos, atrás apenas de Equador e Itália.
Viviane Lyra completou a prova com seu melhor tempo na temporada e relatou o período de dificuldades enfrentado nas semanas que antecederam a competição. “Eu vim de uma pubalgia, que é uma lesão muito difícil de ser tratada. Tive até dúvidas se ia conseguir competir ou não. Somente nos últimos dez dias eu consegui realmente treinar. Tive ajuda até da Joana, minha adversária de Portugal, que é fisioterapeuta. Foi um processo bem difícil e precisei trabalhar muito a paciência, porque queria chegar aqui e dar o meu melhor”, contou.
Trabalho mental e preparação intensa
A marchadora destacou que o preparo para a maratona exigiu controle físico e mental para lidar com as dores ao longo do percurso.
Gabriela Muniz também comentou o período de preparação para competir em casa e a importância da torcida durante o trajeto. “Eu dei tudo de mim hoje, sou muito grata à torcida, estou competindo em casa. A Gia é minha treinadora, e desde que foi confirmado que o Mundial seria aqui, nós trabalhamos incansavelmente, todos os dias, em dois períodos, para fazer nosso melhor aqui hoje”, afirmou.
A treinadora Gianetti Bonfim, oito vezes campeã brasileira de marcha atlética, acompanhou de perto o desempenho das atletas e integra a preparação da delegação no Centro de Atletismo de Sobradinho.
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Lesão interrompe prova de veterana brasileira
A prova também foi marcada pela saída precoce de Elianay Pereira. No quilômetro 20, ela sentiu uma lesão no glúteo, tentou seguir no percurso, parou duas vezes na área de abastecimento, mas não conseguiu concluir a prova.
Ela deixou o circuito emocionada. “Eu queria muito terminar, queria agradecer a todo mundo que veio acompanhar, minha família toda tá aqui. Eu falei que ia encerrar minha carreira nessa competição, mas ainda tenho o Troféu Brasil pra cumprir. Perdi mais de sete minutos tentando voltar, ainda segui mais oito quilômetros, mas a dor era muito grande”, relatou.
Poucos minutos depois, a frustração deu lugar à comemoração quando as companheiras cruzaram a linha de chegada e confirmaram a medalha para o Brasil.
Aos 41 anos, Elianay vive em Sobradinho, região administrativa do Distrito Federal, e soma seis participações em campeonatos mundiais ao longo da carreira. “Jamais imaginava que teria um Campeonato Mundial aqui. É o primeiro que eu abandono. Queria que terminasse de outra forma. Sei que já está chegando a hora de encerrar minha carreira. Peço desculpas aos brasileiros, mas dei o meu melhor”, disse.
O desempenho coletivo das brasileiras colocou o país pela primeira vez no pódio da competição por equipes na marcha atlética feminina.










