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Benefícios exclusivos para forças de segurança desagrada servidores estaduais em Goiás

Administrador Por Administrador
2 de julho de 2026
Em Cidades
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Benefícios exclusivos para forças de segurança desagrada servidores estaduais em Goiás

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Com a nova lei sancionada pelo governador Daniel Vilela (MDB), que criou um auxílio-alimentação de R$ 1.000 mensais para os servidores da ativa das unidades da Secretaria de Estado da Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), uma insatisfação foi manifestada por servidores da segurança pública aposentados e de outras áreas. Na última semana, o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público do Estado de Goiás (Sindipúblico) solicitou uma reunião com o governador para apresentar as principais demandas da categoria.

Além dos servidores do Executivo, a insatisfação chegou aos veteranos e pensionistas das forças de segurança. No dia 25 de junho, o vereador de Goiânia, Coronel Urzeda (PL), durante sessão na Câmara Municipal, comentou sobre a atual situação dos servidores da segurança pública.

O vereador afirmou que o governo estadual deve quatro datas-bases aos servidores da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar e que os novos auxílios não serão pagos às pessoas aposentadas nem àquelas que vierem a se aposentar futuramente. No mesmo pronunciamento, o parlamentar disse que o governador ficará “manchado” por dividir os servidores da ativa e os veteranos.

Nova lei

O benefício sancionado pelo governador será válido para o biênio 2026-2027 e foi criado para ajudar a cobrir despesas com alimentação dos servidores durante o expediente. A medida altera as regras sobre ajuda de custo no âmbito da SSP-GO.

A proposta institui o Auxílio-Alimentação (AC5) para servidores das carreiras da segurança pública e atualiza os valores da Indenização por Localidade (AC3), paga a profissionais que atuam em regiões consideradas estratégicas em Goiás.

Outro ponto da AC3 é a bonificação para os 500 servidores com as melhores notas na avaliação de desempenho individual, que receberão um bônus de até R$ 300 como prêmio pela produtividade.

O texto também prevê mudanças na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 e revoga dispositivos que, segundo o governo, não se adequam ao novo modelo de remuneração indenizatória.

A estimativa de impacto orçamentário é de R$ 156,2 milhões no segundo semestre de 2026 e de R$ 312,4 milhões por ano em 2027 e 2028. Do total, cerca de R$ 24,9 milhões mensais serão destinados ao pagamento do novo auxílio-alimentação para aproximadamente 24,2 mil servidores. Outros R$ 1,16 milhão por mês serão utilizados para o reajuste da indenização por localidade.

Sindicato avalia projeto
Na visão do presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Goiás (Sinpol-GO), Renato Rick, esse novo pacote de benefícios é positivo, pois valoriza os profissionais da segurança pública de Goiás. Porém, o líder sindical destaca que a Polícia Civil ainda necessita de uma reestruturação profunda da carreira e que o atual governo enfrenta o desafio de recuperar a confiança do funcionalismo público após anos de perdas.

Em relação ao auxílio-alimentação para os policiais da ativa, o presidente entende que a verba indenizatória é positiva para a categoria, mas o sindicato critica a quebra da paridade, já que a medida não contempla os inativos. “O que recebe um servidor da ativa deve receber o policial aposentado. Contudo, no modelo do auxílio-alimentação que foi apresentado, o aposentado ficou de fora”, pontuou Rick.

De acordo com Rick, o pacote do governo trouxe medidas para sanar demandas históricas e corrigir injustiças entre as categorias. No entanto, ele ressaltou a disparidade enfrentada por seus representados em comparação com outras forças estaduais. “Os policiais civis configuram, infelizmente, a pior carreira da segurança pública no estado de Goiás”, afirmou ao O HOJE.

Como resposta a essa situação, o governo concedeu uma isonomia parcial com a Polícia Penal. Dessa forma, o teto salarial das duas carreiras foi nivelado, mas a defasagem permanece nas faixas intermediárias, já que o policial civil ainda perde financeiramente em sete dos dez níveis da progressão profissional. Segundo o presidente, há um compromisso do governador de corrigir essa desigualdade em um eventual próximo mandato.

Governo enfrenta desafio de reconquistar servidores
Servidores do executivo esperam reunião para falar sobre as principais demandas da categoria – Foto: Divulgação
O governo estadual enfrenta o desafio de reconstruir a relação com o funcionalismo público. A avaliação de entidades sindicais é de que, apesar dos investimentos feitos em áreas como segurança pública, saúde e educação, a valorização dos servidores ainda precisa avançar para recuperar a confiança das categorias.

Renato Rick afirmou que os últimos sete anos e meio foram “muito difíceis para o servidor público em geral”. Segundo ele, o governo de Ronaldo Caiado realizou investimentos importantes em estrutura, tecnologia e armamento das forças de segurança, mas isso, por si só, não resolve os problemas do funcionalismo. “Nada disso vai ser suficiente se o material humano não estiver bem valorizado”, ressaltou.

Rick cita como pontos de desgaste o atraso das datas-bases de 2019 e 2021, a venda do Ipasgo e do Hospital do Servidor Público, além das perdas provocadas pela reforma previdenciária. Na avaliação dele, o governador Daniel Vilela herdou uma situação difícil e terá um grande trabalho para reconquistar a confiança das categorias.

O presidente do Sindipúblico, Nylo Sérgio, afirma que o governo tem concentrado benefícios nas forças de segurança, enquanto outras categorias seguem sem avanços semelhantes. “Infelizmente, o governo está beneficiando apenas uma parte do grupo de servidores, que são os da segurança pública”, comenta.

Segundo Nylo, o benefício de R$ 1 mil para os servidores da segurança pública amplia a diferença entre as categorias, já que parte dos servidores do Executivo não recebe vale-alimentação, enquanto outros chegam a receber valores superiores.

O sindicato aponta que servidores da Sead, Semad, UEG e Agência Brasil Central estão entre os mais afetados. Além do benefício, a entidade cobra a revisão das carreiras e o pagamento das datas-bases atrasadas de 2019, 2020 e 2021, que somariam um passivo inflacionário de 13,95%.

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