As sabatinas da TV Globo com os candidatos à Presidência da República foram marcadas por propostas de governo e temas que atravessam a disputa eleitoral, como a anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF). Ao longo da semana, Renata Vasconcellos e César Tralli entrevistaram Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (Avante).
Zema
Primeiro entrevistado, na segunda-feira (24), Zema tratou sua gestão em Minas Gerais como credencial para disputar o Planalto. Porém, o candidato foi questionado sobre a situação fiscal do Estado e sobre como pretende controlar o endividamento da União.
Na área de segurança, o ex-governador defendeu medidas mais duras contra criminosos e voltou a sustentar a necessidade de mudanças no sistema penitenciário. Zema também defendeu a construção de um “superpresídio” para líderes de facções criminosas.
A entrevista ganhou repercussão por temas ligados aos atos golpistas de 2023. O candidato do Novo afirmou que concederia anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e voltou a negar que tenha ocorrido uma tentativa de golpe de Estado. Também criticou o Supremo Tribunal Federal e classificou os ministros da Corte como uma espécie de “casta intocável”.
Sobre vacinação, o ex-governador se declarou contrário à obrigatoriedade da imunização, embora tenha afirmado que tomou todas as doses da vacina contra a Covid-19.
Caiado
Na rodada de terça-feira (25), Ronaldo Caiado tentou utilizar sua experiência política e a atuação na área de segurança pública em Goiás como principais credenciais para a disputa nacional.
O tema ocupou parte importante da entrevista. O candidato do PSD criticou a política de segurança do governo Lula e afirmou que o Brasil enfrenta uma situação “grave” de avanço do “narcotráfico”. Como alternativa, propôs a criação de uma força policial integrada entre países da América do Sul, com possibilidade de atuação conjunta além das fronteiras para combater o tráfico de drogas.
Caiado também afirmou que não autorizaria a entrada de militares dos Estados Unidos no Brasil para atuar contra facções. De acordo com o ex-governador, o problema deve ser tratado pelas nações envolvidas.
Na economia, Caiado criticou o arcabouço fiscal aprovado durante o governo Lula e o classificou como uma “grande farsa”. Como alternativa, prometeu encaminhar uma PEC para limitar as despesas federais ao crescimento da inflação, que estabeleceria como teto uma proporção equivalente a 50% do PIB. Também atacou a política de juros e o programa Desenrola Brasil.
A sabatina também tratou da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Caiado prometeu uma medida “ampla, geral e irrestrita” e comparou a discussão com a anulação das condenações de Lula pela Justiça.
Em momento tenso da participação do goiano, o ex-governador foi pressionado a detalhar propostas sobre Previdência e chegou a responder a Renata Vasconcellos que “não estamos numa mesa examinadora”.
Renan Santos
Terceiro entrevistado, na quarta-feira (26), Renan Santos apresentou uma estratégia diferente. O candidato do Missão concentrou boa parte de seu discurso no combate ao crime organizado.
A defesa de que o Brasil desenvolva armas nucleares esteve entre as propostas defendidas pelo candidato que ganhou repercussão. Renan afirmou que o país precisa ter uma bomba atômica como instrumento de soberania e defendeu a ampliação do poder militar brasileiro.
Na segurança pública, Renan defendeu a declaração de guerra contra as facções e a retomada de territórios dominados pelo crime em prazo de um ano. O candidato mencionou a possibilidade de um “regime de exceção” para viabilizar a operação.
Com inspiração no modelo de Nayib Bukele em El Salvador, Renan minimizou as denúncias de violações de direitos humanos relacionadas à política do presidente salvadorenho.
Também foi questionado sobre declarações machistas de integrantes de seu grupo político e sobre sua disposição para cumprir decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). O candidato afirmou que não obedeceria a decisões que considerasse ilegais.
Lula
Diferentemente dos três primeiros entrevistados, Lula, que chegou à sabatina na quinta-feira (27) como líder das pesquisas, buscou defender o desempenho de seu governo. As investigações que envolvem integrantes do governo e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tomaram a maior parte da conversa.
As perguntas sobre Lulinha ocuparam mais da metade da entrevista. Perguntado sobre inquéritos da Polícia Federal (PF) que investigam suspeitas de corrupção e tráfico de influência e sobre a relação de pessoas próximas ao governo com investigados, o presidente afirmou que não haverá privilégio para o filho e que, caso seja comprovado algum crime, Lulinha responderá pelos próprios atos.
A entrevista também passou pelo escândalo dos descontos indevidos no INSS, pelas relações do governo com lobistas e por outros episódios investigados pela Polícia Federal. Os entrevistadores pressionaram Lula a explicar a responsabilidade do governo diante das suspeitas que envolve integrantes da cúpula do Planalto.
Na segunda metade da sabatina, o foco mudou para temas de governo. O petista defendeu sua política econômica e tratou sobre responsabilidade fiscal, segurança pública, educação e desenvolvimento tecnológico. Também destacou resultados de sua administração e apresentou a continuidade do atual governo como argumento para a reeleição.
Flávio Bolsonaro
Quinto entrevistado, Flávio Bolsonaro tentou construir uma imagem de mudança e se apresentar como alternativa ao governo petista, mas acabou confrontado com uma série de controvérsias que envolve seu próprio grupo político, na sexta-feira (28).
Logo no início da entrevista, chamou atenção a estratégia adotada pelo senador. Flávio levou uma “cola” escrita na mão, assim como o pai, ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fez nos debates presidenciais de 2022. As palavras “Mudança”, “Futuro” e “7/set” estavam anotadas na palma da mão.
A entrevista avançou por temas delicados para o candidato. Os questionamentos durante a sabatina passaram por envolvimento com o Banco Master, acusações de “rachadinhas”, relação com figuras ligadas ao crime organizado e declarações feitas anteriormente a respeito das urnas eletrônicas.
Em relação ao processo eleitoral, o candidato do PL afirmou que respeitaria o resultado das eleições. Questionado sobre as urnas, admitiu ter errado ao afirmar que os equipamentos utilizados no Brasil seriam fabricados por uma empresa venezuelana, informação que havia sido desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato também negou que Jair Bolsonaro tenha participado de uma tentativa de golpe de Estado e defendeu anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
A entrevista ainda abordou as declarações de Flávio sobre o episódio com Daniel Vorcaro, do Banco Master. O candidato do PL voltou a sustentar a tese de que se tratava de uma busca por um patrocinador para financiar o filme “Dark Horse”, que conta a história de seu pai. “Não tem absolutamente nada de irregular. Foi um patrocínio, não teve nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro”, disse.
Augusto Cury
A série de sabatinas terminou no sábado (29), com Augusto Cury (Avante). O candidato aproveitou a entrevista para apresentar-se como uma alternativa de conciliação política.
Na economia, Cury defendeu a redução do número de ministérios para entre oito e dez, mas propôs simultaneamente a criação de novas estruturas voltadas à inteligência artificial e à segurança pública. A criação de um ministério de Inteligência Artificial e Robótica esteve entre as ideias apresentadas.
O candidato também prometeu utilizar inteligência artificial e digitalização para reduzir custos da administração pública e defendeu a avaliação periódica de servidores por indicadores de desempenho. Para o BNDES, propôs uma divisão em duas estruturas, uma voltada a grandes empresas e outra destinada a micro e pequenas empresas.
Na saúde, propôs ampliar a utilização da telemedicina no SUS para atendimentos básicos. Na educação, declarou que transformará escolas públicas em polos de empreendedorismo e prometeu disponibilizar seus métodos de desenvolvimento socioemocional para a rede pública.
Cury também apresentou propostas para o combate à violência contra mulheres, com a criação de aplicativos com botão de emergência e sistemas integrados às delegacias. Na política externa, defendeu uma mudança na comunicação do Brasil no exterior e sugeriu o treinamento de influenciadores digitais para atuar junto às embaixadas na divulgação de produtos e características brasileiras.
No 2º debate de governador em Goiás, Daniel Vilela e Marconi Perillo trocam acusações, Luis Cesar Bueno recorre a Lula e Wilder Morais a Flávio Bolsonaro
O post Anistia, STF e propostas dominam temas das sabatinas dos presidenciáveis apareceu primeiro em O Hoje.


