Bruno Goulart
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), adotou uma estratégia de equilíbrio político ao destravar, nesta quinta-feira (9), a tramitação da indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao mesmo tempo em que atendeu a uma demanda da oposição.
Alcolumbre enviou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Ao mesmo tempo, marcou para o dia 30 de abril a sessão que pode derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto que reduz penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.
A tramitação da indicação ao STF agora segue um calendário definido. A leitura do relatório na CCJ está prevista para a próxima semana e a sabatina de Jorge Messias foi marcada para o dia 29 de abril. No mesmo dia, deve ocorrer a votação no plenário do Senado. Para ser aprovado, o indicado precisa de pelo menos 41 votos, maioria absoluta da Casa. Nos bastidores, no entanto, a avaliação é de que o cenário é confortável: Messias já teria cerca de 56 votos favoráveis entre os 81 senadores, o que indica uma aprovação provável.
Além disso, o relator da indicação, senador Weverton Rocha (PDT-MA), já sinalizou que apresentará parecer favorável. Segundo o pedetista, Messias reúne os requisitos exigidos para o cargo, como notório saber jurídico e reputação ilibada. O próprio indicado também tem buscado apoio nos últimos meses, ao intensificar o diálogo com parlamentares. Esse trabalho político, iniciado ainda no fim do ano passado, ajudou a melhorar o ambiente em torno do seu nome dentro do Senado.
Resistência a Jorge Messias
Apesar do cenário positivo, a indicação enfrentou resistência e demorou a avançar. O nome de Jorge Messias foi anunciado ainda em novembro de 2025, mas a mensagem oficial só foi enviada ao Senado no dia 1° de abril. Nesse intervalo, houve desgaste na relação entre o governo Lula e o presidente do Senado. Alcolumbre chegou a demonstrar preferência por outro nome e cobrou mais diálogo do Palácio do Planalto antes do envio da indicação. Diante disso, o governo optou por ganhar tempo e fortalecer a articulação política antes de formalizar o processo.
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Agora, ao liberar a tramitação, Alcolumbre sinaliza que não pretende barrar o andamento da indicação. Senadores avaliam que o presidente do Congresso poderia ter dificultado o processo, seja ao atrasar a pauta ou ao escolher um relator contrário, mas optou por permitir o rito normal. Ainda assim, o gesto não significa alinhamento automático com o governo. Isso porque, no mesmo dia, Alcolumbre tomou uma decisão que atende diretamente à oposição.
A oposição
A marcação da sessão para analisar o veto de Lula ao projeto conhecido como dosimetria aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro reforça esse posicionamento. O tema é sensível, pois envolve a possibilidade de reduzir penas de presos pelos ataques às sedes dos Três Poderes, o que inclui aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao pautar essa discussão, Alcolumbre abre espaço para um movimento que pode contrariar o governo federal.
Esse duplo movimento mostra que o presidente do Senado busca manter uma posição de equilíbrio em ano eleitoral. De um lado, destrava uma pauta importante para o Planalto, que é a indicação ao STF. De outro, garante espaço para que a oposição avance em temas de seu interesse, com base em uma relação pragmática, típica do Centrão. (Especial para O HOJE)









