Antes de um possível acordo de paz ser formalizado, Estados Unidos (EUA) e Irã passaram a emitir sinais mais concretos de que as negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio avançaram. Nesta sexta-feira (12), autoridades dos dois países adotaram um tom mais otimista, embora persistam divergências sobre o conteúdo do entendimento provisório e sobre quais compromissos já teriam sido efetivamente assumidos.
A expectativa ganhou força após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que os negociadores chegaram a um consenso sobre os “pontos finais” da proposta. O Paquistão, que atua como mediador das conversas, confirmou que as delegações concordaram com o texto final das tratativas. Ainda assim, nenhum dos governos divulgou oficialmente o teor do documento.
Do lado iraniano, as declarações também mudaram ao longo da semana. Depois de negar que houvesse qualquer acerto aprovado, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que um memorando de entendimento “nunca esteve tão próximo”. Ao mesmo tempo, pediu cautela diante das informações divulgadas pela imprensa. Na rede X o chanceler afirmou que “a mídia deve se abster de especular sobre seu conteúdo”.
Trump chama negociadores iranianos de ‘desonestos’
Trump chegou a republicar a mensagem de Araghchi na Truth Social, mas ainda assim, o republicano não deixou de atacar o regime iraniano. O presidente norte-americano acusou Teerã de divulgar informações falsas sobre os termos negociados. “Os termos que o Irã divulgou […] NÃO têm nada a ver com os termos que foram acordados por escrito”, afirmou. Trump ainda afirmou que os iranianos “São pessoas extremamente desonestas. Com elas, não existe negociação de boa-fé”.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Foto: Daniel Torok/ Casa Branca)
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Apesar da ausência de confirmação oficial, a CNN Internacional informou, com base em fontes ligadas ao governo iraniano, que o memorando prevê um cessar-fogo de 60 dias em todas as frentes do conflito, incluindo o Líbano; a reabertura imediata do Estreito de Ormuz; o fim do bloqueio naval norte-americano na região; a flexibilização gradual das sanções impostas ao Irã; e o compromisso iraniano de não obter uma arma nuclear.
Esse último ponto, no entanto, tornou-se alvo de controvérsia. Trump afirmou que o entendimento prevê o abandono definitivo de qualquer tentativa iraniana de desenvolver armamento nuclear e disse acreditar que o líder supremo, Mojtaba Khamenei, aprovou o acordo.
Entretanto, a agência estatal iraniana IRNA sustentou que a questão nuclear não integra o memorando provisório. Segundo a publicação, “nenhum acordo será firmado sobre a questão nuclear no memorando atual e o Irã não assumirá novos compromissos”. O texto acrescenta que futuras negociações sobre o tema ocorreriam até 60 dias após a assinatura do documento inicial.
A IRNA também negou qualquer cessão sobre a administração do Estreito de Ormuz, afirmando que o assunto será tratado posteriormente em âmbito regional, por meio de diálogo entre Teerã e Omã.
Ataques voltaram a acontecer no Irã após queda de um helicóptero dos EUA
As tratativas ocorrem após uma nova escalada militar entre os dois países, mesmo sob cessar-fogo firmado em abril. O agravamento do conflito começou após a queda de um helicóptero das forças norte-americanas durante um sobrevoo próximo ao Estreito de Ormuz. Trump responsabilizou o Irã pelo episódio e prometeu retaliar.
Na sequência, os EUA bombardearam sistemas de defesa iranianos e radares instalados em Ormuz. Teerã respondeu com ataques contra uma base norte-americana no Bahrein. Na quarta-feira (10), uma nova ofensiva dos EUA foi seguida pelo lançamento de mísseis iranianos em direção a países do Golfo Pérsico.
