O lugar-comum prevalece novamente: “Em eleição pode acontecer de tudo; inclusive, nada”. Desde 2017, está mantida a polarização entre a esquerda e o bolsonarismo, com uma vitória para cada lado, mesmo quando os dois líderes maiores ficaram fora, em 2018 sem Lula e neste ano sem Jair Bolsonaro. O maior acontecimento desde 2022 foi a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD, saindo do União Brasil, para ser candidato à Presidência da República.
No mais, nada mudou, apesar dos espasmos de ambos os lados, um comemorando a queda do outro, o outro vibrando com o tropeço do um. Até porque há um cadáver no armário, como nas boas histórias de suspense: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), oficialmente se afastou da disputa, jura estar concentrado na reeleição e exatamente nenhum personagem decisivo conta com isso. Qualquer um pode ganhar, mas não pode ganhar qualquer um.
Eleitor ainda não despertou
Além da polêmica com o cão Orelha, o assunto nos últimos dias foi o Banco Master e, se os pré-candidatos não produzirem conteúdo, caminha para a pauta ser a presença dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, na Supercopa em que o Corinthians ganhou do Flamengo, neste domingo (1º), em Brasília.
É uma mostra do desinteresse da população pelo que existe de mais interessante, a política, que cuida, inclusive, dos rumos de pets como o Orelha e de bancos como o Master – cuida ou deveria. Por isso, as visitas do pessoal da direita à Papudinha estão dando mais engajamento que resmungos de parlamentares aqui do lado de fora. Nesse quesito, Caiado se sobressaiu, pois ninguém aguenta mais tanto índice disparatado nas pesquisas.
Como ter 3ª se não tem ainda nem 2ª?
Em resumo, continua sendo Lula de um lado e seu eventual adversário de outro. Muitos esperavam aparecer 3ª via e a verdade é que nem 2ª surgiu ainda. Como o presidente que está no cargo, qualquer que seja, é a 1ª, o posto de 0-1 da oposição está entre Caiado e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido pelo pai para representar seu grupo contra Lula.
Havia outros cinco governadores com igual pretensão, Romeu Zema (MG) do Novo, Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR), ambos do PSD, e Cláudio Castro (RJ), do PL, além de Tarcísio. A opção de Jair por Flávio anulou as chances de Castro ser até vice, a filiação de Caiado no PSD liquidou Ratinho e Leite, o isolamento natural num partido nanico vitimou Zema e ficou faltando ele, aquele de sempre, o que desistiu, mas o pessoal não desiste dele, Tarcísio.
O cenário é favorável a Lula em algumas pesquisas, apesar dos empates em outras, porque os números da economia internacional contaminaram o mercado brasileiro e a profusão de programas sociais sustentam a base de eleitores da esquerda. Porém, os fundamentos das finanças encostam o País nas cordas, não vai à lona porque o desemprego está em 5% e os compradores internacionais carentes de nossas commodities.
O problema são as seguranças públicas e nacional
É desnecessário entender de previdência para saber que a nação está quebrada – antes mesmo de entidades tomarem bilhões dos velhinhos do INSS e o governo ser obrigado a ressarci-los do caixa do Tesouro. A segurança pública é “o” problema de Norte a Sul, pois as facções se tornaram máfias e o poder público perdeu o controle das fronteiras e das ruas. A segurança nacional é outro patinho feio, pois 90% de suas verbas são destinadas a aposentados e pensionistas, nada para tecnologia. Falta aos adversários do PT um discurso para cada um desses temas.
Quem mais desenvolveu técnicas para o Brasil deixar de curar fratura com bandeide foi Caiado. No caso das facções, por exemplo, seu sistema é bruto, tipo o que Castro usou em favelas no Rio de Janeiro, desocupando os territórios tomados pelo crime. Os resultados da Educação foram os melhores de toda a rede pública. Portanto, o que pode ocorrer com Tarcísio talvez não seja o que ele espera – como um de seus antecessores no cargo, Jânio Quadros, ele renunciou à candidatura e pode ser que não reapareça a necessidade de buscá-lo de volta.









