Os pré-candidatos ao Palácio do Planalto já trabalham em suas estratégias políticas para diminuir a rejeição nas diferentes parcelas do eleitorado. Nome do bolsonarismo para a disputa presidencial de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou a tática de envolver sua esposa, Fernanda Bolsonaro, em sua pré-campanha.
Até o momento discreta nas exposições públicas, Fernanda deve ganhar espaço na pré-campanha de Flávio como tentativa de, além de diminuir a rejeição no voto feminino, suprir a ausência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Conforme apuração da Coluna do Estadão, a ideia partiu do próprio filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A exposição pública da esposa de Flávio e a construção de sua imagem enquanto ativo político tem acontecido aos poucos. No fim do ano passado, em mensagem de Natal para seus seguidores nas redes sociais, Fernanda adotou um tom religioso e pregou os valores morais que o bolsonarismo usa como sustentação política. “Em momentos difíceis, é a família que nos sustenta, e é Deus que nos dá a certeza de que não estamos sozinhos”, disse Fernanda à época.
Rejeição de Flávio
A tentativa de inserir uma imagem feminina associada a Flávio tem respaldo nos números negativos que o parlamentar possui junto ao eleitorado feminino. Recentemente, a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou que 54% das mulheres possuem mais “medo ou preocupação” com a eleição do filho de Bolsonaro do que com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 38,4% das mulheres mostraram preocupação com o petista.
O levantamento também mostra que o apoio do eleitorado feminino para Flávio varia entre 28,6% e 33,5%. A preocupação de Flávio também reverbera os dados oficiais do eleitorado brasileiro divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2024, 52% do total de votantes no Brasil é composto por mulheres.
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Coerência eleitoral
Para o cientista político Pedro Pietrafesa, a estratégia tem coerência eleitoral diante do histórico de rejeição do campo bolsonarista entre as mulheres. Pietrafesa afirmou que “a estratégia do Flávio Bolsonaro faz sentido porque não só ele, mas o pai também tinha uma rejeição muito grande entre as mulheres”.
Segundo o cientista, “o discurso, a ideologia e as práticas dos políticos de extrema direita têm, em diferentes temas, uma característica misógina por essência” e isso ajuda a explicar a resistência feminina. Pietrafesa acrescenta que “trazer mulheres para o seu palanque pode ajudar a diminuir essa rejeição que o público feminino tem em relação não só ao Flávio Bolsonaro, mas à própria ideologia”.
Pietrafesa também observa que o fenômeno não é exclusivo do Brasil e cita o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, como exemplos de líderes da extrema direita que possuem resistência no eleitorado feminino.
“A práxis da extrema direita está gerando uma resistência feminina em razão do que a extrema direita defende. A pauta da extrema direita, em boa parte, vai contra as liberdades, os direitos do público feminino. Isso gera um embate e uma rejeição maior do público feminino em relação a candidatos de extrema direita, mesmo que esses candidatos sejam mulheres, porque é um discurso que muitas vezes vai contra direitos e liberdades das mulheres”, observa Pietrafesa.










