Sábado, 30 de agosto de 2025, dia 1 da caminhada de Ronaldo Caiado rumo à Presidência da República. Tentou em 1989, foi atropelado pelo surgimento de Fernando Collor e pela falta de muita coisa, como experiência, partido consolidado, discurso em consonância com as ruas. Agora, continua tendo clones como os governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Tarcísio de Freitas (São Paulo), parecidos com ele em termos de pensamento e ação. Mas está no maior partido do Brasil (a federação União Progressista), sua gestão é a melhor do País (88% de aprovação) e a principal bandeira (combate implacável à criminalidade) é do que a nação reclama sem trégua.
Como o União Brasil tem três ministérios, esperava-se que Caiado ficasse livre para rodar o país em nome do partido apenas na data fatal (7 meses antes da votação). Ganhou de setembro a março por ter ocorrido algo que o religioso Caiado previa: “Presidência da República não é cargo, é destino”. Caiu uma chuva de bom senso sobre UB e PP, que se juntaram com duas alternativas: se Lula tivesse chances absolutas de reeleição, manteriam seus cargos no governo e fariam de conta que exigiriam fidelidade; se a vaca estivesse indo para o pântano, desceriam dos cargos. E foi o próprio Lula quem ajudou o destino.
O desembarque dos ministros
Houve uma festa em Brasília para celebrar a composição PP-UB. Lula reuniu a equipe com mágoa no coração e, em vez de ideias, boné azul na cabeça. Brincou de gata-parir com os ministros dos dois partidos, agora reunidos na federação. Eles anteciparam o desembarque. O HOJE noticiou na tarde desta sexta-feira 29/8 que o do Turismo, Celso Sabino, jogou o boné. Será seguido pelos colegas de UB, Frederico Siqueira (Comunicações) e Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional). O PP ainda não anunciou a saída de André Fufuca (Esportes), mas o líder-mor da sigla e da federação, o senador Ciro Nogueira, é mais bolsonarista que Michelle, Flávio, Carlos e Eduardo.
Ao precipitar o divórcio, Lula deu a Caiado o tempo desejado para cumprir a próxima etapa do destino, convencer os bolsonaristas. Seguidores mais fanáticos do ex-presidente não se esquecem das brigas entre RC e JMB. Repetem que o governador ofereceu reforço às tropas do Distrito Federal para conter o vandalismo na Praça dos Três Poderes no fatídico 8 de janeiro de 2023. As mais recentes lembranças ruins são da campanha para prefeito de Goiânia e Aparecida no ano passado, quando candidatos do PL enfrentaram os do UB nos dois turnos. Houve choro e ranger de faca nos dentes, vídeos apócrifos de baixo nível, enfim, o cardápio completo de guerra eleitoral suja. Porém, o próprio Jair Bolsonaro nada falou diretamente que sinalizasse rompimento.
Eram dois amigos inseparáveis lutando contra o PT
RC e JMB tiveram excelente convivência na Câmara dos Deputados. Em 2018, Caiado encerrou a disputa para governador ainda no 1º turno e, no 2º, entrou junto com Wilder Morais no comitê de Bolsonaro. Não apoiou JMB desde o início porque seu partido, o DEM, estava com – veja as voltas que a política dá – Geraldo Alckmin, o hoje vice de Lula. Em 2022, Bolsonaro apresentou candidato contra a reeleição de Caiado, o hoje vereador Vitor Hugo, e o partido do governador novamente tinha presidenciável, a senadora Soraya Thronicke. Mais uma vez, uniram-se no 2º turno.
Com Bolsonaro vitorioso em 2018, o goiano foi fundamental para pacificar a bancada do Centrão nos projetos do Executivo. Caiado e Wilder ainda eram senadores quando se uniram para indicar dois ministros de Bolsonaro, o da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (que saiu enxotado do governo e colecionaria fracassos nas urnas), e o da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas (que saiu glorificado do governo e coleciona sucesso nas urnas e na gestão). Não tentaram o Ministério da Justiça porque Bolsonaro chamou o juiz Sergio Moro, lembrado antes para o cargo por outro concorrente à Presidência, Alvaro Dias.
Torrentes de fake news
A única parte lamentável da antecipação de adversários de Lula é a providência aguardada do que virá do gabinete do ódio.
Operação policial?
Banimento de convênios?
Atrasos em repasses?
Monetização bilionária de fake news?
Quem ousou enfrentar o PT acabou moído e, depois, teve de juntar os cacos dentro de furacões intermináveis. Foi assim com o ex-senador Demóstenes Torres (cassado), com Jair Bolsonaro (preso dentro da própria casa), Ciro Gomes (narrativas fizeram com que parecesse maluco), Celso Daniel (assassinado). Para se cumprir a força do destino, que Caiado se cerque de bênçãos.
Chance de ser presidente afasta de campanha em Goiás
A ótima notícia recebida por Ronaldo Caiado de que a federação já começou a entregar os ministérios prenuncia que se dedique integralmente à luta pelo Palácio do Planalto. Sabe que, agora, tem chance. Portanto, vai sobrar menos agenda para a campanha de Daniel Vilela à reeleição de governador.
O êxito generalizado na segurança pública faz de Caiado um astro em Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Belo Horizonte, Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro. “Ou os bandidos mudam de profissão ou mudam para a vala e quem for contra vá lá levá-los para casa”. Nenhum dos demais participantes, incluindo-se os governadores da direita, tem condição de ostentar os índices alcançados no coração do Brasil. Discurso tão vencedor só não encontra repercussão em um Estado – sim, Goiás.
A elogiada oratória fica bem no vídeo e melhor ainda presencial. Por isso, os apoiadores vão exigir sua visita no Nordeste inteiro junto com a baiana Gracinha Carvalho Caiado. A família de Ronaldo faz política no Rio de Janeiro, com diversos mandatos, e suas caminhadas serão imprescindíveis para relembrar a cariocas e habitantes da Baixada Fluminense que aquele médico ali atendeu a eles ou a seus pais e avós. Como fazer tudo isso tirando semanas inteiras para rodar os municípios goianos?
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