Manual de ética e compliance elaborado pelo escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, para o Banco Master passou a ser questionado após análises indicarem que o documento pode conter trechos copiados de outras fontes. Nesta segunda-feira (9), o escritório divulgou pela primeira vez detalhes da prestação de serviços ao banco, mas advogados e acadêmicos ouvidos pela imprensa apontaram lacunas e inconsistências na justificativa, especialmente diante do valor elevado do acordo.
Segundo especialistas consultados, as atividades descritas na nota oficial do escritório não parecem compatíveis com os valores atribuídos ao contrato. Reportagens revelaram que o acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos, totalizando R$ 129 milhões, quantia considerada “estratosférica” por juristas que analisaram o caso.
A relação entre o escritório e o Banco Master passou a ser alvo de críticas públicas após revelações feitas pelo jornal O Globo, que trouxe à tona os detalhes financeiros do contrato. Desde então, o tema intensificou o debate sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo o entorno do ministro do STF.
A pressão aumentou após a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ocorrida na quarta-feira (4/2), no âmbito de investigações sobre um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras. A partir da detenção do empresário, surgiram novas informações sobre possíveis contatos entre Vorcaro e Moraes.
Mensagens extraídas do celular do banqueiro, apreendido pela investigação, indicariam que ele teria mencionado encontros com o ministro entre 2024 e 2025 em conversas privadas com sua então namorada. Os diálogos foram localizados no material analisado pela Polícia Federal no inquérito que apura irregularidades no banco.
Reportagens também apontam que a Polícia Federal teria recuperado mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes em 17 de novembro, data em que o banqueiro foi preso pela primeira vez. O ministro, no entanto, nega ter recebido qualquer comunicação do empresário.
De acordo com Moraes, uma perícia técnica realizada no Supremo Tribunal Federal sobre o material vazado indicou que o destinatário das mensagens não seria ele. Os dados analisados foram compartilhados com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ampliando o alcance político das apurações.
O caso segue repercutindo nos bastidores jurídicos e políticos de Brasília, alimentando questionamentos sobre a relação entre o Banco Master, seu ex-controlador e figuras centrais do Judiciário brasileiro.










