A filiação do governador Ronaldo Caiado ao PSD marca um novo momento na vida política do chefe do Executivo goiano, sobretudo em suas pretensões políticas, já que Caiado busca viabilizar sua candidatura ao Palácio do Planalto. Entretanto, para além do projeto nacional, a ida de Caiado para o partido de Gilberto Kassab altera, sobretudo, a configuração política em Goiás.
A ida de Caiado para o PSD eleva o patamar da sigla na hierarquia partidária em Goiás. Apesar da relevância nacional como a legenda que mais conquistou prefeituras em 2024 e possui a 2ª maior bancada no Senado, no Estado a sigla teve um desempenho tímido na última eleição municipal. Elegeu apenas três prefeitos em Goiás. Na capital goiana, não elegeu vereador e ficou em 5° lugar na corrida pelo Executivo da Capital.
O marqueteiro e analista político Marcos Marinho aponta que a chegada do governador à legenda muda o panorama dos pessedistas no âmbito estadual. “Eu entendo que a vinda do Caiado dá fôlego para o PSD. Muda completamente a posição do partido que, em nível nacional, é muito grande, mas que em Goiás está meio derretido. Com a vinda do Caiado, obviamente algumas cartas vão ser colocadas sobre a mesa com novos acordos. Para o partido é interessante e abre possibilidades”, afirma Marinho ao jornal O HOJE.
De acordo com o analista, as especulações mostravam certa dificuldade do senador Vanderlan Cardoso (PSD), até então presidente estadual do partido, em montar uma chapa para as eleições proporcionais. Com Caiado à frente da legenda, a situação deve se inverter, já que não irão faltar aliados da base governista para migrar para a legenda.
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Caiado é trunfo de Kassab
A situação era preocupante para o PSD. Com o governador goiano, Kassab consegue um aliado capaz de solucionar as dificuldades eleitorais que o PSD goiano tem enfrentado e alça o partido para um lugar de destaque que a legenda ainda não teve em Goiás.
O partido elegeu apenas um deputado federal por Goiás em 2022, Ismael Alexandrino, que mantinha conversas com outros partidos em razão da ausência de uma nominata competitiva do partido até o momento. Alexandrino é especulado no PL, mas também recebeu convites do MDB, Republicanos, Podemos e PSB. Com a chegada de Caiado no partido e a iminência de uma chapa competitiva que pode aumentar o número de deputados (estaduais e federais) do PSD em Goiás, é esperado que o deputado recalcule sua rota.
Outro reflexo político
Para o chefe do Executivo goiano, além da possibilidade de disputar a Presidência da República, o movimento possui outro reflexo político. No âmbito estadual, a filiação de Caiado ao PSD inviabiliza que a legenda caminhe com opositores do vice-governador Daniel Vilela (MDB), nome da base governista para a disputa pelo Palácio das Esmeraldas.
Com Vanderlan em articulação para disputar a reeleição ao Senado Federal, havia a possibilidade de o partido não caminhar com a base governista. O grupo palaciano já possui uma pré-candidata à Casa Alta, a da primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil), e negocia a segunda vaga com o PL, que indicaria o deputado federal Gustavo Gayer (PL) caso o acordo com os liberais em Goiás avance.
O pouco espaço na base levou à sondagens de Vanderlan com outros grupos políticos. O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) é um dos interessados no passe político do senador, que poderia levar o PSD a caminhar com o tucano, o que deixa de ser uma possibilidade com Caiado no comando do PSD de Goiás.










