Bruno Goulart
A chegada da pré-candidata a deputada federal, vereadora Aava Santiago (PSDB), à presidência do PSB em Goiás inaugura uma nova fase de articulações no campo da esquerda para as eleições de 2026. Embora no meio político apontem para a possibilidade de o partido encabeçar uma candidatura ao Palácio das Esmeraldas, a futura presidente da legenda tem adotado um discurso cauteloso: a prioridade, neste momento, não é a disputa majoritária, mas a consolidação de chapas fortes para o Legislativo.
Ao O HOJE, Aava é enfática ao afirmar que o partido discute, em tese, a participação em uma chapa majoritária, mas que esse debate não é prioridade no momento. “A decisão do PSB é focar em chapa majoritária. Porém, essa não é a pauta prioritária do partido agora. Eu estou 100% debruçada na formação de chapa de deputado federal e de deputado estadual”, afirma.
Nesse cenário, o nome do ex-governador José Eliton aparece como possível alternativa para a disputa ao governo ou como peça estratégica para 2026. Aava confirma ter feito convite para que José Eliton retorne ao PSB e ressalta o peso político do ex-vice de Marconi Perillo (PSDB), que é pré-candidato a governador e conta, inclusive, com o apoio da vereadora. “Convidei José Eliton para voltar a se filiar ao partido. Ele faria qualquer movimento nesse sentido para atender a uma necessidade do campo”, diz. Ainda assim, faz questão de ressaltar que não há definição nem discussão formal sobre esse tema neste momento.
Enquanto isso, no PT, o cenário também aponta para rearranjos. A presidente estadual do partido, deputada federal Adriana Accorsi, adiantou ao O HOJE, na semana passada, que o candidato da esquerda ao Governo de Goiás “certamente sairá do PT”. E indicou dois nomes: o vereador por Goiânia, professor Edward Madureira, e o advogado Valério Luiz — este último visto como mais provável diante dos cálculos políticos internos.
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Apesar das especulações cruzadas, Aava reforça que o PSB não pretende interferir nas decisões de outros partidos, nem aceitar ingerências externas. “Respeito muito o PT, respeito muito os outros partidos do centro democrático. Se eles quiserem falar sobre candidatura, é um direito deles, assim como é um direito meu estabelecer as minhas prioridades”, pontua. Segundo a vereadora, a missão confiada pela direção nacional, especialmente pelo presidente do PSB, o prefeito de Recife (PE), João Campos — que participará do ato de posse em fevereiro —, é clara: estruturar chapas competitivas e ampliar a presença do partido no Legislativo.
Além disso, outro eixo central da estratégia do PSB em Goiás será garantir um palanque consistente para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Estado. “Meu compromisso é dobrar nossa bancada de deputados estaduais, voltar com força total para o Congresso Nacional e garantir um palanque para o presidente Lula em Goiás”, destaca a vereadora.
Na semana passada, o atual presidente estadual do PSB, ex-deputado federal Elias Vaz, ponderou à reportagem que não é o momento de o partido encabeçar uma chapa ao governo. Para Vaz, a prioridade deve ser o fortalecimento da sigla por meio da eleição de deputados.
O que dizem analistas
Para o estrategista político Marcos Marinho, Aava vive um momento decisivo de afirmação como dirigente partidária. “Ela está no momento de construir agora um papel como presidente de partido. É outro desafio. Vai compor uma frente mais à esquerda com foco em dar palanque para o Lula e, obviamente, garantir a própria eleição dela”, avalia. Segundo Marinho, a cabeça de chapa mais provável para o governo permanece com o PT, por ser o maior partido do campo progressista em Goiás.
Já o cientista político Lehninger Mota destaca que é natural que Aava busque ampliar o espaço do PSB na aliança. “É difícil pensar em uma candidatura a governo pelo PSB. O partido pode até integrar a cabeça de chapa, uma vice do PT ou disputar o Senado, mas lançar candidatura própria não parece viável”, afirma. Para Mota, a ligação direta de Aava com o presidente Lula e o fato de o PSB ocupar a Vice-Presidência da República com Geraldo Alckmin reforçam essa estratégia de atuação em aliança, e não em voo solo. (Especial para O HOJE)







