O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu, nesta quarta-feira (18), na Penitenciária da Papuda, em Brasília, dirigentes e parlamentares do Partido Liberal (PL), em meio às articulações para as eleições deste ano. Preso por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro se reuniu com lideranças da sigla para discutir o cenário eleitoral, a formação de candidaturas e estratégias para ampliar a presença do partido no Congresso.
A primeira visita foi do presidente do PL no Rio de Janeiro, Bruno Bonetti, suplente do senador Romário (PL-RJ). Em seguida, o ex-presidente recebeu o líder do partido no Senado, Carlos Portinho. Para o próximo sábado (21/2), estão previstas as visitas dos deputados federais Nikolas Ferreira e Sanderson.
Segundo Portinho, o encontro foi marcado por debates sobre o cenário político nacional e as eleições de 2026. O PL trabalha atualmente com o nome de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República. No Rio de Janeiro, a legenda ainda não definiu quem disputará o governo estadual, já que o atual governador, Cláudio Castro, deve concorrer a uma vaga no Senado. Portinho, por sua vez, pretende buscar a reeleição.
O senador afirmou que o partido tem como prioridade ampliar as bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado, fortalecendo sua atuação no próximo ciclo político. Após a reunião, ele classificou a conversa como produtiva, mas relatou preocupação com o estado de saúde do ex-presidente.
Em entrevista, Portinho disse que Bolsonaro apresentou sinais de instabilidade física durante o encontro, com episódios de soluço, falas descoordenadas e dificuldade para caminhar. Segundo o parlamentar, os sintomas estariam relacionados aos medicamentos utilizados no tratamento de problemas de saúde. Ele destacou que a equipe médica acompanhou a visita e prestou atendimento ao ex-presidente.
“O presidente apresenta um quadro de certa instabilidade e até de equilíbrio físico na hora de andar. Isso é devido aos remédios que ele toma pelos problemas de saúde. Sobre o soluço, posso confirmar que houve durante a conversa, mas a equipe médica estava presente”, afirmou o senador.
Diante do quadro clínico, Portinho voltou a defender a concessão de prisão domiciliar a Bolsonaro, pedido já protocolado pela defesa, mas que ainda aguarda análise do Supremo Tribunal Federal (STF).
Além dos aliados políticos, Bolsonaro também recebeu a visita do filho Carlos Bolsonaro, que relatou nas redes sociais que o pai estava sonolento e abatido. O vereador manifestou preocupação com as condições de saúde do ex-presidente e afirmou que, na última segunda-feira (16), ele passou mal na prisão e precisou ser monitorado.
Em ano eleitoral, as visitas de parlamentares e dirigentes do PL indicam a intensificação das articulações em torno do grupo bolsonarista. Mesmo preso, Bolsonaro busca manter influência sobre as decisões do partido, reforçar sua liderança política e consolidar o legado do campo conservador para a disputa de 2026.










